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quinta-feira, 24 de junho de 2010

7
Um ano sem Michael Jackson - E o que o mundo perdeu?

Se passou um ano inteiro desde que o mundo perdeu Michael Jackson, e alguns ainda perguntam: quem ocupará o trono do Rei do Pop?

Sinceramente? Ninguém.


Não digo isso como fã de Michael Jackson, mas como fã de cultura pop. Michael Jackson foi simplesmente um fenômeno, desde o seu início. Você pode dar ouvido aos boatos, pode não gostar de sua vida pessoal, mas seu talento é inegável. Ele foi capaz de seduzir o mundo simplesmente andando para trás. Foi capaz de seduzir o mundo com uma jaqueta vermelha, sapatos pretos com as meias brancas aparecendo e uma luva prateada. Para ele, não era preciso fantasias, performances estranhas ou simulações de sexo. Bastava ele estar no palco.


Michael veio de uma época na qual talento era fundamental. Os artistas ainda não tinham toda a roupagem que acompanham os CDs hoje. Não é segredo para ninguém que, atualmente, você não precisa saber cantar. Seja simpático, faça algo que chame a atenção, que o resto a gente dá um jeito. Cria-se celebridades, mas artistas, poucos.


Já tentaram encontrar inúmeros substitutos para o cargo de Rei do Pop. A última matéria que ví citava Justin Timberlake, Britney Spears, Lady Gaga, Justin Bieber e Miley Cyrus. Não vou falar sobre os dois últimos, pois acho que o jornalista bebeu gasolina antes de escrever. Nada contra Justin Bieber, acredito que o menino tenha futuro. Apesar das meninas histéricas e da carinha de ídolo teen, creio que em alguns anos ele possa render algo. Miley Cyrus não sei se vai longe, não canta, não tem carisma e está seriamente seguindo os passos de Britney Spears para deixar sua vida pessoal ser mais importante que a profissional. Britney é uma vítima da mídia, temo que terá o mesmo fim trágico de MJ. Diria que os mais propícios a serem lembrados algum dia seriam Justin Timberlake e Gaga.


Justin tem talento. Canta, dança, compõe, produz, atua, se reinventa. Mas some muito para quem ainda não conseguiu cativar tanto público. Gaga tem apelo, mas nasceu agora, e como já disse, é muito circo para pouco palhaço. Sabe cantar? Sabe, sem dúvida. Já provou que sabe escrever. Mas ainda não conseguiu me provar que consegue manter o circo de pé depois que o público for embora. Muita cena, muita performance, pode simplesmente destruir o principal: a música. Mas como a própria já declarou, ainda é muito cedo para dar qualquer rótulo para Lady Gaga.


A grande vantagem de Michael Jackson é que ele cativou a todos, primeiramente, por sua música. Por sua dança. Não foi preciso um grande circo para provar que ele sempre teve talento. Aos poucos, Michael Jackson foi reescrevendo a história da música pop. Deu vida aos video clipes. Sabe esses vídeos que você assiste hoje em dia, com uma história, com um dançarino acompanhado por outros? Ele é o cara por trás disso. Michael deu uma nova dimensão para o que é um show, o que é uma turnê. Os shows de Michael Jackson sempre tiveram cenários. Sempre tiveram luzes. Fogos. Dançarinos. Mas sempre contaram com a banda, ali do lado dele. Pois mais do que saber entreter, é preciso saber cantar. Afinal, você é um cantor ou um miquinho de circo?


Uma coisa que sobra em Michael Jackson falta em muitos artistas da atualidade: carisma. Você pode não gostar da pessoa, mas conseguirá achar pelo menos uma performance que te deixará de boca aberta. Ele sempre teve o incrível dom de hipnotizar as pessoas ao pisar no palco. Seja com a voz. Seja com a dança.


O que perdemos com a passagem de MJ? Assista This is It, domingo da Rede Globo e quarta-feira na Warner para ver. Perdemos o show do século. Perdemos um artista que ainda tinha muito a oferecer. Imagine como estaria a história do pop hoje, depois da estreia de This is It? O show contaria com a participação de Madonna, negociavam a aparição de Britney Spears e Lady Gaga abriria as apresentações. Quer mais?


Infelizmente perdemos o cara. Perdemos a criatividade. Perdemos o que poderia ser um novo capítulo para a indústria pop. E não adianta. Podem surgir Ladys, Justins. Não haverá um novo Elvis. Não haverá um novo Beatles. Não haverá um novo Nirvana. E nunca, jamais, existirá um novo Michael Jackson. Ninguém conseguirá vestir seus sapatos. Vida longa ao eterno Rei do Pop.






Leia também:




Michael Jackson - King of Pop, Rock and Soul - depoimento de um fanático recente (yes, myBoyfriend). Ou simplesmente o depoimento de um fanático por música.

Michael Jackson fazendo bem até para sua saúde - depoimento da irmã fisioterapeuta, fã há 17 anos e responsável pela overdose de Michael Jackson na minha vida.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

3
Como você volta para casa? Carro, metrô ou barco?

Por mais incrível que pareça, isso não é um rio. Não é um córrego. É um trecho da Avenida Moreira Guimarães, parte do Corredor Norte Sul, a tal e famosa 23 de maio, em São Paulo. Foto tirada pelo celular, as 19h17, enquanto a zona sul de São Paulo se transformava no mais novo rio do estado.


Culpa de quem?

São Pedro?

Governo?

Dos duendes?


Sinto informar que a culpa é pura e simplesmente da população.

Sabe aquele papelzinho de bala que você joga no chão, que não influencia em nada?

Sabe aquele cigarro que vc larga no chão sem ao menos apagar?

Sabe aquele papel de cartão de crédito que oops, você sem querer deixou cair?



Como sabiamente disse Michael Jackson durante seus ensaios do This is It, todos tem mania de culpar os outros. "É culpa do governo". "Eles irão concertar" "Eles tem a solução". Eles quem? A solução está na gente. Nós temos que mudar. Nós temos que nos policiar.


Segue vídeo de "Earth Song", música escrita por Michael Jackson em 1995. Incrivelmente como 15 anos depois ela ainda casa com a situação.


Porque as vezes é melhor desencanar de comprar um carro e já garantir seu espaço na Arca de Noé...

domingo, 1 de novembro de 2009

7
Uma visão sobre This is It - Michael Jackson



Perdemos um grande show. É o melhor comentário que podemos fazer ao assistir "This is It". A volta de Michael Jackson aos palcos estava sendo detalhadamente preparada, e o que poderiamos esperar é um show como o mundo não via há muito tempo.

O que vemos no filme é um Michael Jackson que os fãs já conheciam. Profissional. Educado. Amável. Perfeccionista. Criança. Um Michael Jackson que conhece profundamente suas músicas, cada nota, cada levada. Conhece o gosto de seus fãs. Conhece todos os passos de suas coreografias. Que briga com a equipe, exige que as coisas sejam feitas do jeito que ele escreveu. "É assim que os meus fãs querem ouvir". Mas que briga do jeito mais educado que uma pessoa pode brigar. "It's all for love. L.O.V.E.". Como não respeitar?

O filme é simples, direto. Faz direito o que se propõe a fazer. Mostra o ensaio das principais músicas (podemos perceber que algumas ficaram de fora, talvez uma jogada de marketing para o lançamento do DVD - Como Michael iria fazer um show sem Heal the World?) seguindo o set list original. E é nessa hora que o filme apaixonou os céticos, aqueles que criticavam, aqueles que não conheciam Michael Jackson. Pois ao mostrar o ensaio no seu estado bruto, mostra um Michael Jackson que, no alto de seus quase 51 anos não perdeu a voz e o rebolado. Michael ainda canta, ainda tem voz, ainda alcança as notas. Michael sabe todas suas coreografias, marca os passos como se estivesse contando até três. Simples assim. Natural. Não somente por ser algo que faz por 40 anos, mas por ser aquilo que ele melhor sabe fazer.

Em momento algum o filme cita o dia em que Michael nos deixou. Não foca em melancolia. Não é piegas. Como diz no inicio, é um filme feito para os fãs. Sendo feito para os fãs, foca naquilo que os fãs querem ver: Michael em ação. Uma pena, uma pena mesmo que não é um ensaio geral. Por muitos momentos, MJ se segura. Segura a voz. Segura os passos. Tudo para se poupar para os grandes shows, que nunca vieram. E é nossa hora que o coração aperta. "Estou poupando minha voz". "Nos vemos em julho". Mas logo em seguida MJ é levado pela emoção, e se joga em passos de Billie Jean. Se empolga no dueto com a [super]backing vocal em I Just Cant Stop Loving You e prova, de uma vez por todas, que não estava morrendo. Podemos ver um Michael feliz, se divertindo na grua que o faria chegar mais perto do público. Se divertindo com a nova filmagem de Thriller e Smoth Criminal. Dando espaço para que os novos de sua banda brilhem durante o show. E, como sempre, tentando salvar o mundo.

Michael tem uma consciência ambiental impressionante. De seu jeito, dá o recado: vamos parar de culpar "eles", assumir nossa culpa e cuidar de nosso planeta. Simples assim. Ah, se todos ouvissem Michael Jackson...



Tenho que confessar que o inicio do filme me encheu de lágrimas. Ver todos os bailarinos-fãs, sorrindo, felizes, comemorando estarem no palco com o rei. Ver MJ ensaiando com muito cuidado um show que nunca iria acontecer. Mas as lágrimas logo passam, quando você entra no clima do ensaio e se sente mais um bailarino, babando, olhando para o palco, enquanto Michael Jackson dá seu show. E o filme te deixa com uma sensação de "quero mais". Cem minutos é muito pouco. Quero mais música. Mais coreografia. Mais Michael Jackson. Quero o segundo verso de Black or White. Quero Man in The Mirror inteira. Quero Moonwalk. Quero MJ vivo para nos mostrar tudo o que ele queria!

Infelizmente, ficaremos querendo. This was supposed to be it. Presenciamos o ensaio de um show perfeito, que nunca foi. The greatest show on earth. E, além de tudo, perdemos o melhor artista da história. O mais completo. O único que escreve, compõe, dirige, coreografa, atua. O único que consegue mandar no diretor de seu show (Ortêêêga) sem que esse ao menos perceba. Perdemos um dos seres humanos mais humanitários do mundo, que simplesmente queria levar mais amor para as pessoas. Queria que o homem voltasse a sua essência, se respeitasse. Queria salvar o mundo. Um artista pop completo, que canta. Playback, o que é isso? Michael Jackson é cantor. Tem voz. Conhece o palco como ninguém. Conhece sua potência, sua força. Sabe que é bom. E sabia que estava fazendo o melhor show que o mundo poderia ver. Infelizmente, ficaremos na imaginação. Pois outro Michael Jackson não nascerá. This is it.




Algumas dicas:
- Fique até o fim dos créditos! Há duas cenas depois que as letrinhas acabam, além da música de fundo ser Heal The World ao vivo.
- Ainda não viu? Vá ver o filme. Vale cada centavo.
- Já viu? Veja de novo. É o que farei ;)

terça-feira, 28 de julho de 2009

6
Quem é o pai?



A morte de Michael Jackson gerou inúmeras discussões. Apesar de já fazer mais de um mês da passagem de Michael para o outro plano, ele continua sendo manchete em jornais, revistas e sites, com portais que não sobrevivem meia hora sem dar alguma "notícia" sobre o Rei do Pop. É nessas horas que você começa a analisar se diploma faz diferença ou não. Considere o fato que muitos portais de internet utilizam estagiários para postarem notícias sobre celebridades. Una agora ao fato de muitos portais estarem pautando suas notas em tablóides e jornais de fofocas estrangeiros, afirmando serem essas fontes veridicas e irrefutaveis. Seria algo como creditar ao Nelson Rubens alguma credibilidade. Essa situação poderia ser ignorada, se não fosse o detalhe de algumas emissoras, que aspiram por serem a primeira no ibope do Brasil, utilizarem esses mesmos tabloides como fontes confiáveis. E não se referirem aos mesmos como tablóides ou explicarem a seus telespectadores que a confiabilidade desse tipo de fonte não é lá muito alta. Mas enfim, ficam aí os fatos para vocês julgarem.

O que me espanta no meio de tanta "notícia" sobre Michael Jackson é uma tecla que vem sido insistentemente batida: quem são os pais dos filhos de MJ? Nessa hora, eu automaticamente penso: "Ora essa, Michael Jackson!". Afinal, que diferença faz de quem veio o esperma para conceber as crianças? Pai é quem faz ou quem cria?



Vou ser bem sincera, nunca passou pela minha cabeça questionar se a paternidade de Prince, Paris e Blanket deveria ser realmente atribuida a Michael Jackson. Alias, nunca nem liguei o fato dos filhos serem brancos e Michael negro, argumento que muitos usaram para questionar se MJ é ou não pai das crianças. Mas esse argumento fica um pouco fraco quando vejo que trabalho com uma menina loira, mais branca do que eu, cujo o pai é mais negro do que Michael Jackson algum dia chegou a ser. E quando vejo também que o filho caçula de Michael, Blanket, é a cara do pai.



Independente de qualquer coisa, fico aqui pensando: que diferença faz quem é o pai biológico? Tenho dois primos adotados. Um tem 24 anos e a outra 16. São irmãos. Minha tia não podia engravidar e se casou com meu tio que, por coincidência, também não podia ter filhos. Meu primo foi adotado com 5 dias de vida, e minha prima com 4 anos. Não sei se a caçula sabe que é adotada, mas o mais velho sabe, e é muito grato aos meus tios por esses terem escolhido ser seus pais. Meus tios deram carinho, amor, educação, alimento, afeto, casa, comida, roupa lavada e ensino da melhor qualidade. Trataram, e ainda tratam, meus primos igual ou até melhor do que muito pai biológico. Se algum dia algum pai de algum dos meus primos decidir lembrar que um dia gerou uma vida, e resolver lutar por eles (desconsiderando que o mais velho já é maior de idade), eles conseguiriam um resultado positivo? Faria diferença para um juiz o fato deles serem pais biológicos frente toda a vida de cuidados que meus tios proporcionaram aos meus primos? Então por que raios se discute tanto a paternidade dos filhos de Michael Jackson?



Michael sempre procurou proteger os filhos dos holofotes e proporcionar a eles uma vida, na medida do possível para filhos da maior celebridade do mundo, normal. Quem era fã já sabia, mas quem não acompanhava, pode ver pós-morte de MJ videos e fotos dos cuidados de Jackson com seus filhos. No funeral do astro, todos puderam presenciar e se emocionar com a pequena Paris, declarando ao mundo seu amor pelo pai. Tem que ter um coração absurdamente duro para achar que uma menina de 11 anos ensaiou tudo aquilo para sensibilizar o público. Quem estava prestando atenção nos filhos de Michael durante as homenagens, pode ver que Paris falava muito com Janet Jackson, supostamente pedindo autorização para falar. Quando a pequena Michael se aproximou do microfone, os irmãos do astro acreditavam que quem falaria era Janet, e não Paris. Então por que ainda tem gente que diz que a menina foi forçada pelos tios a falar?



Tenho dó dessas crianças pela quantidade de pessoas que as tratarão como um produto, sem se preocuparem com seus sentimentos, apenas atras do dinheiro que essas irão herdar do pai. No próximo dia 3 a justiça americana decide quem ficará com a guarda dos rebentos de Michael. Depois de tanta gente afirmar ser pai dos mais velhos, depois de mulheres afirmarem ser mãe do mais novo, depois da mãe oficial dos mais velhos querer a guarda das crianças de volta - após ter praticamente vendido seus filhos -, depois do patriarca da família Jackson declarar que quer lançar os pequenos filhos de Michael como "Jackson 3", espero que a justiça saiba bem o que vai fazer. Janet, irmã mais próxima de Michael e a que claramente tem mais intimidade com as crianças, já declarou que gostaria de cuidar dos sobrinhos. A irmã mais velha de Michael também já demonstrou interesse. Só espero que, na medida do possível, essas crianças possam crescer de forma saudavel, perto de pessoas que as ame, e não ame seu dinheiro, e tenham uma vida mais feliz do que o pai. Espero que estejam alheia a todo esse circo que se armou em volta da paternidade delas, e que continuem a admirar o pai que tiveram e que viveu seus últimos anos de vida em função delas. Afinal, pai não é quem faz, é quem cria.


segunda-feira, 29 de junho de 2009

21
Apenas um garoto querendo salvar o mundo

Ele era apenas um garoto grande querendo salvar o mundo.

Michael Jackson começou sua carreira muito pequeno. Quando mal sabia ter dominio sobre as próprias palavras, Michael já liderava os Jackson 5. A história de sucesso desse garoto todos já sabem. O que poucos sabem, procuram saber, ou simplesmente ignoram, são os bastidores dessa trajetória.

Michael soube o que era pressão muito novo. Passou sua infância trabalhando como adulto, e a fase adulta querendo voltar a ser criança. Quando pequeno, tinha que lidar com um pai rude, severo, que comandava os ensaios da banda de irmãos com um cinto na mão: qualquer respiração torta, chibatada. Joe Jackson foi responsável por vários traumas de infância nos irmãos Jackson, principalmente no pequeno Michael. O patriarca da família não cansava de demonstrar todo seu "afeto", com palavras singelas para expressar o quanto achava MJ feio ou sem talento. Bom o bastante? Até parece, Michael estava bem longe disso. Diante dos intensos ensaios, apresentações, gravações e desprezo dos demais, Michael encontrou amizade em um ser peculiar: um pequeno rato. Batizado de "Ben", o animalzinho era confidente do futuro rei do Pop. Ao flagrar tamanha intimidade de seu caçula com esse animal, Joe Jackson decidiu ser prático: matou Ben. E lógico, deixou a prova do ato na caixa de sapatos onde Michael escondia o amigo, para que seu filho pudesse ver o feito. Mais tarde, o astro escreveu a música "Ben", para relembrar essa fase.




Mas Joe não parou por aí. Certa vez, enquanto os irmãos Jackson dormiam, Joe decidiu escalar a janela do quarto dos garotos, fazendo uso de uma mascara, para assustá-los e provar que eles não poderiam ter deixado a janela aberta. Posteriormente, em entrevista, Michael confessou que até hoje tem problemas para dormir. Afinal, o que dizer de um pai que rí no dia seguinte a morte de seu filho e ainda faz propaganda de sua gravadora em uma entrevista, dizendo estar "maravilhoso" ao invés de estar de luto?


Em meio aos maus tratos, xingamentos e ironias de Joe Jackson, Michael ia se tornando cada vez mais importante no cenário musical. Ninguém conseguia acreditar no poder que aquela voz tinha, na elasticidade do corpo daquele pequeno menino. Os Jackson vendiam cada vez mais graças ao carisma e talento do pequeno Michael. Mas isso não foi bom o bastante para que sua família reconhecesse seu poder. Mas foi bom o bastante para que gravadoras e empresários quisessem lança-lo em carreira solo.

Enquanto estourava sozinho, crescia o interesse da mídia sobre a vida daquele astro, que difundiu para o mundo a música negra e soube mesclar como niguém R&B, Pop, Rap e Rock. Em contrapartida, Michael não tinha muita vida. Sabia que podia cantar, podia dançar, podia escrever, poderia se expressar por meio de sua arte. Sabia que o palco era seu lugar, e sabia que lá poderia ser livre. Enquanto cada vez mais Michael mostrava domínio sobre o palco, tinha menos domínio sobre sua própria vida. Michael já tinha virado alvo fácil da imprensa, que na época, tinha sua trupe mais marrom do que nunca. Michael dorme em uma câmera para preservar a juventude? Comprou ossos do homem elefante? Tem um caso com um macaco? A resposta de Michael? Por meio de sua arte...






Acontece que não o deixaram sozinho. Michael era cada vez mais perseguido por sangue-sugas e urubus. Todos imaginavam, mas ninguém conhecia o verdadeiro Michael. Seria ele extravagante? Cheio de sí? Poderoso? Na época do sucesso do album Thriller, a revista Rolling Stone levou o astro a sua capa. A edição foi republicada no 25º aniversário do album. No texto, o reporter se mostra admirado com o que encontrou: um garoto timido, de jeans tênis e camiseta do mickey, voz baixa, olhares para o chão. Nada comparado com aquele super astro que se mostrava no palco.

Mas Michael sempre foi assim. Um rei no palco. Não tinha para ninguém. Sempre conseguiu dançar, cantar, entreter o público e fazer uma performance que até hoje ninguém consegue superar. Seus clipes são perfeitas obras de arte, e seus CDs entraram para a história. Mas esse era o único lugar que poderia ser feliz, poderia ser livre. Nos bastidores, não teve infância. Não teve adolescência. E teve centenas de milhões de olhos vigiando todos os seus passos.

Em busca da infância perdida, Michael fazia amizade com crianças. Fato estranho para alguns, mas para ele não era. Michael brincava, pulava, corria, como se fosse um deles. Os pais das crianças? Adoravam! Afinal, seus filhos frequentavam o parque de diversões do maior astro da atualidade. Mas eis que vem a tona o caso Jordan Chandler: garoto de 13 anos que frequentava a casa do astro, pais separados, pai sem poder algum sob a vida do filho, que decide contar ao mundo que seu rebento era abusado pelo grande astro pop. Na época do caso, a CNN conseguiu um audio no qual o pai de Jordan afirmava.. " "Se eu for adiante com isso, ganho uma bolada. June [mãe de Chandler] perderá [a guarda do menino] e a carreira de Michael será arruinada". Na onda do garoto, outros meninos também disseram terem sido abusados por Michael Jackson. Meteram até Macaulay Culkin na história, ídolo mirim da época e amigo de Jackson. Alguma semelhança?

Bom, Macaulay logo desmentiu. Os outro garotos também, alguns voltaram a mídia mais tarde para confessarem que foram tentativas desesperadas das mães de tirarem dinheiro do astro. Michael negou todas as acusações. Michael foi inocentado por juri popular em 2005. Acho meio dificil terem conseguido somente fãs de MJ para inocentá-lo no juri, certo?

Mas para quê acreditar que um astro como Michael não é pedofilo? Por que não acreditar nos urubus da mídia, nos urubus da sociedade, por que acreditar em um ser carente como Michael Jackson?

Michael foi vítima. Morreu por culpa de seu pai. Morreu por culpa das pessoas gananciosas que o cercavam. Morreu por culpa da imprensa, que não poupava o astro nem quando esse resolvia dar um tchau de dentro de seu carro.

Enquanto o mundo lhe tacava pedras, Michael tentava salvar o mundo. Não poupou esforços e nem energia para encabeçar causas sociais, criar letras com temas importantes, ajudar e criar fundações. O Mundo o chamava de pedófilo, ele queria Curar o Mundo . O mundo o chamava de esquisito, ele queria mudar suas atitudes . O mundo destruia o planeta, e ele cantava para salvar a Terra .










Mas para que dar atenção a isso quando o legal é falar mal?

Mesmo após sua trágica morte, mesmo após o mundo chorar sua perda, muitos preferem comentar "as esquisitisses" de Michael ao invés de falarem sobre suas obras sociais, sobre seu legado para a música, sobre sua real importância para o mundo. Salvo algumas exceções, foi priorizado buscar a audiência e focar no destrutivo ao invés de mostrar algo de bom. Deixo aqui registrado a belissima homenagem dos Estúdios Mauricio de Sousa, feita pelas mãos de Paulo Back, de uma sensibilidade ímpar.



Prefiro pensar assim. Prefiro imaginar Michael sendo recebido pela trupe de anjos no céu. Michael cantando Black Or White, Beat it, Billie Jean, Thriller. Prefiro não dar atenção a quem não acredita na verdade, não pesquisa, não se preocupa com a dor alheia.


Afinal, Michael era apenas um garoto grande tentando salvar o mundo. E um grande homem tentando salvar a si mesmo. Que ele consiga, finalmente, encontrar sua felicidade.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

2
Michael Jackson não morreu

Quero deixar registrada aqui uma matéria que publiquei ano passado, enquanto ainda trabalhava no site MSN. Fiquei semanas lutando nas reuniões de pauta para fazer um especial de 50 anos de vida de Michael Jackson, 25 de carreira e 15 anos do show em SP e ninguém me ouvia. Um dia antes do aniversário de Michael, minha editora-chefe pediu desesperada para eu fazer uma matéria especial, pois todos os sites tinham material pronto, e eu já tinha feito algo parecido no aniversário de Madonna. Preparei o material pela manhã, e ví que na pressa ela pediu para a estagiária novata fazer uma matéria também, que foi ao ar cheia de preconceito e contotações. Juntei o meu texto com o dela, dei umas modificadas no que ela escreveu e coloquei no ar, mesmo assim ainda acho que a abertura foi preconceituosa: nunca colocaria o "polêmico" por exemplo. Acho que esse tipo de adjetivo não cabe no jornalismo. Mas como era quase um texto opinativo, larguei mão. O texto na íntegra após abertura é meu, e lembro que foi muito elogiado na época pelos leitores. Fica a recordação desse astro que para mim, não morreu.

Michael Jackson comemora 50 anos


Reprodução
Cantor polêmico faz aniversário nesta sexta-feira



Em São Paulo

Michael Jackson completa 50 anos de vida hoje. O cantor chega à meia idade com uma história de escândalos, tumultos e carregando o maior legado da música pop até hoje.

Jackson deu outra definição ao que era chamado de popstar nos anos em que esteve no auge, vendendo milhões de discos e levando os fãs à loucura. Mas por alguns momentos pareceu ter perdido o eixo. Além de passar por uma série crise financeira, foi acusado de pedofilia no início dos anos 90.

Apesar dos problemas, Michael tem uma carreira louvável. Desde o "Jackson 5", em que cantava com seus irmãos, até seu maior sucesso "Thriller", muitos anos se passaram; e o sucesso do cantor só cresceu.

Como parte das comemorações de aniversário, será lançada uma coletânea com os maiores sucessos de Michael durante a carreira.

O álbum será lançado em vários países, como Austrália, Brasil e Inglaterra, com músicas diferentes, escolhidas pelos fãs locais em votação. O último álbum inédito do cantor foi lançado em 2001 e se chama "Invincible".

O VMA (Video Music Awards) 2008, premiação da MTV Americana, também pode integrar a lista de comemorações de Jackson por seus 50 anos. Segundo especula-se, o cantor estaria oficialmente convidado a apresentar o evento nesta edição. Além disso, existe ainda a possibilidade de uma reunião do "Jackson 5" para uma apresentação especial durante a cerimônia.

O inicío

A estrada do cantor é extensa. Michael Joseph Jackson começou sua carreira quando ainda era um pequeno garoto em Indiana, estado americano onde nasceu. Com apenas cinco anos, ele já era a voz principal do grupo Jackson’s Five, onde se apresentava ao lado dos irmãos Tito, Marlon, Jackie e Jermaine. Com hits como "I Want You Back", "ABC", "I'll be there" e "Ben", o pequeno garoto negro que carregava um imenso black power chamava a atenção pelo seu poder vocal. Empresariados pelo pai, Joseph, os irmãos foram colocados no estrelato pela gravadora Montown, com a qual atingiram o sucesso no mundo inteiro.

Carreira Solo
Entre problemas e troca de gravadora, Michael começou a tentar a carreira solo em 1975, com 17 anos. Conseguiu a façanha três anos depois, quando passou a ser produzido por Quincy Jones, parceria que durou por muito tempo. Em 1979, gravou o álbum "Off the Wall", sucesso de crítica e público. Com a gravação "Don't Stop 'Til You Get Enough", o cantor ganhou seu primeiro prêmio Grammy, o Oscar da música. No início de sua carreira solo, o rei do pop conseguiu emplacar quatro músicas seguidas na primeira posição das paradas americanas e inglesas, feito inédito até então.

Em 1983, Michael lançou o aclamado álbum "Thriller". Nesta época, já era conhecido como o rei do pop, pedido que o próprio fez para o canal musical MTV. Em comunicado, informou à emissora que gostaria de ser chamado de "o rei do pop" a partir daquela data. E o título não é em vão. Até aquele momento, o cantor já tinha vendido mais de 20 milhões de cópias de seu primeiro álbum solo, e estava prestes a lançar o disco que venderia mais cópias no mundo inteiro. Até hoje, nenhum artista ou grupo conseguiu superar a marca de "Thriller", que teve mais de 50 milhões de álbuns vendidos. Além disso, emplacou sucessos como "Billie Jean" e "Beat it" e impulsionou um dos videoclipes mais famosos e caros da história: o próprio "Thriller", onde Michael se transforma em lobisomem e dança uma coreografia clássica com zumbis.

Mudanças Físicas
A partir daí, foi sucesso atrás de sucesso. E mudanças drásticas na aparência do cantor. Na capa do aclamado "Thriller", o astro já aparecia com um nariz um pouco mais fino. Mas a mudança principal veio em 1987, na foto do álbum "Bad". O cantor, até então negro, apareceu com uma tonalidade mais clara. Na época, foi diagnosticado com vitiligo, o que justificaria sua mudança de cor. As informações são de que o cantor teria acelerado a doença, o que fez com que perdesse a tonalidade da pele e precisasse se proteger constantemente do sol – não é difícil ver Michael com várias blusas, máscaras ou sombrinhas. Em meio às polêmicas sobre sua aparência, "Bad" vendeu mais de 25 milhões de cópias.

Revelações
Em 1993 começaram os escândalos e as descobertas sobre seu passado. Pela primeira vez em quatro anos o cantor deu uma entrevista à televisão, onde revelou ter sofrido com o pai violento em sua infância. Michael chegou a assumir que conversava com um rato de estimação, para o qual escreveu a música "Ben" na infância. Naquele ano, o rei do pop foi acusado pela primeira vez de assédio sexual contra crianças. A acusação foi da mãe de um menino com câncer que freqüentava a casa do cantor, no rancho "Neverland", famoso por conter um parque de diversões.

Brasil
Neste mesmo ano, Michael passou por terras tupiniquins, assim como Madonna. Fez duas apresentações no Estádio do Morumbi, em São Paulo, e causou muito tumulto em suas passagens e aparições relâmpago na janela do hotel. O cantor também fez pedidos excêntricos. Quis visitar de madrugada a fábrica de brinquedos da "Estrela", e pediu muitos jogos no seu quarto de hotel. Na chegada ao país, foi recebido pela dupla Sandy e Junior, que tinham então dez e nove anos.

Excêntrico
Em seguida vieram "Dangerous", "History", "Blood on the Dance Floor" e "Invincible", o último trabalho inédito de Michael, lançado em 2001. Os dois últimos álbuns do cantor não alcançaram o sucesso de praxe. Talvez porque os escândalos acusando Michael de pedofilia aumentaram no decorrer dos anos, talvez por sua excentricidade e seus hábitos pouco comuns.

Michael é pai de família. Com três filhos- Prince Michael, Paris e Prince Michael II, cuja mãe não é conhecida pelo público – dizem ser uma enfermeira- o cantor passou por mais polêmicas. Foi criticado por balançar seu filho mais velho em uma janela de hotel quando este ainda não tinha um ano. Michael justificou dizendo que sabia o que fazia, e queria atender pedidos do seu público. Constantemente, seus filhos são vistos –ou não- cobertos por toalhas, panos ou cobertores.

Queda
Em 2005, o cantor foi julgado pelas acusações de pedofilia. Foi absolvido por júri popular, depois de cinco meses de julgamento. Boatos de que sua situação financeira não era das melhores foram confirmados na mesma época, quando Michael vendeu seu famoso rancho "Neverland" e se mudou para o Oriente Médio. Além disso, se desfez de boa parte dos direitos autorais das músicas dos Beatles, os quais tinha adquirido ainda nos anos 80, após uma parceria com Paul McCartney.

Retomada
No ano em que completa 50 anos de vida, Michael também celebra os 25 anos de "Thriller", lançando uma coleção especial com as faixas do álbum adaptadas, parcerias e uma música inédita. A gravadora planeja ainda lançar uma coletânea com os maiores sucessos do cantor para comemorar seu aniversário. E ainda terá um novo CD do rei do pop em breve, com faixas inéditas produzidas por Will.I.Am, do Black Eyed Peas.

Em meio às polêmicas, comportamentos infantis e mudanças na aparência, não há como negar o talento do rei do pop. Poucos alcançaram o sucesso de Michael Jackson e ninguém conseguiu alcançar suas marcas e recordes. O dono do passo de dança mais famoso do mundo, o Moonwalker, pode dividir opiniões quanto à sua personalidade, mas é unânime seu talento e sucesso. Resta saber se o rei voltará a triunfar com seu novo álbum.