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quinta-feira, 24 de junho de 2010

7
Um ano sem Michael Jackson - E o que o mundo perdeu?

Se passou um ano inteiro desde que o mundo perdeu Michael Jackson, e alguns ainda perguntam: quem ocupará o trono do Rei do Pop?

Sinceramente? Ninguém.


Não digo isso como fã de Michael Jackson, mas como fã de cultura pop. Michael Jackson foi simplesmente um fenômeno, desde o seu início. Você pode dar ouvido aos boatos, pode não gostar de sua vida pessoal, mas seu talento é inegável. Ele foi capaz de seduzir o mundo simplesmente andando para trás. Foi capaz de seduzir o mundo com uma jaqueta vermelha, sapatos pretos com as meias brancas aparecendo e uma luva prateada. Para ele, não era preciso fantasias, performances estranhas ou simulações de sexo. Bastava ele estar no palco.


Michael veio de uma época na qual talento era fundamental. Os artistas ainda não tinham toda a roupagem que acompanham os CDs hoje. Não é segredo para ninguém que, atualmente, você não precisa saber cantar. Seja simpático, faça algo que chame a atenção, que o resto a gente dá um jeito. Cria-se celebridades, mas artistas, poucos.


Já tentaram encontrar inúmeros substitutos para o cargo de Rei do Pop. A última matéria que ví citava Justin Timberlake, Britney Spears, Lady Gaga, Justin Bieber e Miley Cyrus. Não vou falar sobre os dois últimos, pois acho que o jornalista bebeu gasolina antes de escrever. Nada contra Justin Bieber, acredito que o menino tenha futuro. Apesar das meninas histéricas e da carinha de ídolo teen, creio que em alguns anos ele possa render algo. Miley Cyrus não sei se vai longe, não canta, não tem carisma e está seriamente seguindo os passos de Britney Spears para deixar sua vida pessoal ser mais importante que a profissional. Britney é uma vítima da mídia, temo que terá o mesmo fim trágico de MJ. Diria que os mais propícios a serem lembrados algum dia seriam Justin Timberlake e Gaga.


Justin tem talento. Canta, dança, compõe, produz, atua, se reinventa. Mas some muito para quem ainda não conseguiu cativar tanto público. Gaga tem apelo, mas nasceu agora, e como já disse, é muito circo para pouco palhaço. Sabe cantar? Sabe, sem dúvida. Já provou que sabe escrever. Mas ainda não conseguiu me provar que consegue manter o circo de pé depois que o público for embora. Muita cena, muita performance, pode simplesmente destruir o principal: a música. Mas como a própria já declarou, ainda é muito cedo para dar qualquer rótulo para Lady Gaga.


A grande vantagem de Michael Jackson é que ele cativou a todos, primeiramente, por sua música. Por sua dança. Não foi preciso um grande circo para provar que ele sempre teve talento. Aos poucos, Michael Jackson foi reescrevendo a história da música pop. Deu vida aos video clipes. Sabe esses vídeos que você assiste hoje em dia, com uma história, com um dançarino acompanhado por outros? Ele é o cara por trás disso. Michael deu uma nova dimensão para o que é um show, o que é uma turnê. Os shows de Michael Jackson sempre tiveram cenários. Sempre tiveram luzes. Fogos. Dançarinos. Mas sempre contaram com a banda, ali do lado dele. Pois mais do que saber entreter, é preciso saber cantar. Afinal, você é um cantor ou um miquinho de circo?


Uma coisa que sobra em Michael Jackson falta em muitos artistas da atualidade: carisma. Você pode não gostar da pessoa, mas conseguirá achar pelo menos uma performance que te deixará de boca aberta. Ele sempre teve o incrível dom de hipnotizar as pessoas ao pisar no palco. Seja com a voz. Seja com a dança.


O que perdemos com a passagem de MJ? Assista This is It, domingo da Rede Globo e quarta-feira na Warner para ver. Perdemos o show do século. Perdemos um artista que ainda tinha muito a oferecer. Imagine como estaria a história do pop hoje, depois da estreia de This is It? O show contaria com a participação de Madonna, negociavam a aparição de Britney Spears e Lady Gaga abriria as apresentações. Quer mais?


Infelizmente perdemos o cara. Perdemos a criatividade. Perdemos o que poderia ser um novo capítulo para a indústria pop. E não adianta. Podem surgir Ladys, Justins. Não haverá um novo Elvis. Não haverá um novo Beatles. Não haverá um novo Nirvana. E nunca, jamais, existirá um novo Michael Jackson. Ninguém conseguirá vestir seus sapatos. Vida longa ao eterno Rei do Pop.






Leia também:




Michael Jackson - King of Pop, Rock and Soul - depoimento de um fanático recente (yes, myBoyfriend). Ou simplesmente o depoimento de um fanático por música.

Michael Jackson fazendo bem até para sua saúde - depoimento da irmã fisioterapeuta, fã há 17 anos e responsável pela overdose de Michael Jackson na minha vida.

domingo, 1 de novembro de 2009

7
Uma visão sobre This is It - Michael Jackson



Perdemos um grande show. É o melhor comentário que podemos fazer ao assistir "This is It". A volta de Michael Jackson aos palcos estava sendo detalhadamente preparada, e o que poderiamos esperar é um show como o mundo não via há muito tempo.

O que vemos no filme é um Michael Jackson que os fãs já conheciam. Profissional. Educado. Amável. Perfeccionista. Criança. Um Michael Jackson que conhece profundamente suas músicas, cada nota, cada levada. Conhece o gosto de seus fãs. Conhece todos os passos de suas coreografias. Que briga com a equipe, exige que as coisas sejam feitas do jeito que ele escreveu. "É assim que os meus fãs querem ouvir". Mas que briga do jeito mais educado que uma pessoa pode brigar. "It's all for love. L.O.V.E.". Como não respeitar?

O filme é simples, direto. Faz direito o que se propõe a fazer. Mostra o ensaio das principais músicas (podemos perceber que algumas ficaram de fora, talvez uma jogada de marketing para o lançamento do DVD - Como Michael iria fazer um show sem Heal the World?) seguindo o set list original. E é nessa hora que o filme apaixonou os céticos, aqueles que criticavam, aqueles que não conheciam Michael Jackson. Pois ao mostrar o ensaio no seu estado bruto, mostra um Michael Jackson que, no alto de seus quase 51 anos não perdeu a voz e o rebolado. Michael ainda canta, ainda tem voz, ainda alcança as notas. Michael sabe todas suas coreografias, marca os passos como se estivesse contando até três. Simples assim. Natural. Não somente por ser algo que faz por 40 anos, mas por ser aquilo que ele melhor sabe fazer.

Em momento algum o filme cita o dia em que Michael nos deixou. Não foca em melancolia. Não é piegas. Como diz no inicio, é um filme feito para os fãs. Sendo feito para os fãs, foca naquilo que os fãs querem ver: Michael em ação. Uma pena, uma pena mesmo que não é um ensaio geral. Por muitos momentos, MJ se segura. Segura a voz. Segura os passos. Tudo para se poupar para os grandes shows, que nunca vieram. E é nossa hora que o coração aperta. "Estou poupando minha voz". "Nos vemos em julho". Mas logo em seguida MJ é levado pela emoção, e se joga em passos de Billie Jean. Se empolga no dueto com a [super]backing vocal em I Just Cant Stop Loving You e prova, de uma vez por todas, que não estava morrendo. Podemos ver um Michael feliz, se divertindo na grua que o faria chegar mais perto do público. Se divertindo com a nova filmagem de Thriller e Smoth Criminal. Dando espaço para que os novos de sua banda brilhem durante o show. E, como sempre, tentando salvar o mundo.

Michael tem uma consciência ambiental impressionante. De seu jeito, dá o recado: vamos parar de culpar "eles", assumir nossa culpa e cuidar de nosso planeta. Simples assim. Ah, se todos ouvissem Michael Jackson...



Tenho que confessar que o inicio do filme me encheu de lágrimas. Ver todos os bailarinos-fãs, sorrindo, felizes, comemorando estarem no palco com o rei. Ver MJ ensaiando com muito cuidado um show que nunca iria acontecer. Mas as lágrimas logo passam, quando você entra no clima do ensaio e se sente mais um bailarino, babando, olhando para o palco, enquanto Michael Jackson dá seu show. E o filme te deixa com uma sensação de "quero mais". Cem minutos é muito pouco. Quero mais música. Mais coreografia. Mais Michael Jackson. Quero o segundo verso de Black or White. Quero Man in The Mirror inteira. Quero Moonwalk. Quero MJ vivo para nos mostrar tudo o que ele queria!

Infelizmente, ficaremos querendo. This was supposed to be it. Presenciamos o ensaio de um show perfeito, que nunca foi. The greatest show on earth. E, além de tudo, perdemos o melhor artista da história. O mais completo. O único que escreve, compõe, dirige, coreografa, atua. O único que consegue mandar no diretor de seu show (Ortêêêga) sem que esse ao menos perceba. Perdemos um dos seres humanos mais humanitários do mundo, que simplesmente queria levar mais amor para as pessoas. Queria que o homem voltasse a sua essência, se respeitasse. Queria salvar o mundo. Um artista pop completo, que canta. Playback, o que é isso? Michael Jackson é cantor. Tem voz. Conhece o palco como ninguém. Conhece sua potência, sua força. Sabe que é bom. E sabia que estava fazendo o melhor show que o mundo poderia ver. Infelizmente, ficaremos na imaginação. Pois outro Michael Jackson não nascerá. This is it.




Algumas dicas:
- Fique até o fim dos créditos! Há duas cenas depois que as letrinhas acabam, além da música de fundo ser Heal The World ao vivo.
- Ainda não viu? Vá ver o filme. Vale cada centavo.
- Já viu? Veja de novo. É o que farei ;)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

4
Nas asas de um passarinho

Ouvi, por muito tempo, durante a faculdade, que vivemos em um mundo 2.0. Para muitos é dificil de entender, mas depois de passar 4 anos da minha vida sendo exposta a esse tema, nada é mais simples do que entender que vivemos em um mundo com muitas interações, onde a participação de todos na construção do meio é de extrema importância.


Está aí o twitter para comprovar isso. Essa famosa ferramenta, o tão falado exemplo de mídia social, é a perfeita tradução do mundo 2.0. As pessoas interagem, conversam, trocam informações, notícias, se atualizam. Você, que tem um twitter, quantas vezes ficou sabendo pela primeira vez de uma notícia pelo pseudo microblogging?

Aproveitando a interação, muitos famosos entraram na onda para tentar uma aproximação com seu público. Primeiro no exterior, onde o site estourou. Uma das pessoas mais seguidas do Twitter é o ator Ashton Kutcher, marido da sex symbol Demi Moore, famoso por filmes como "Cara, cadê meu carro?" e "Efeito Borboleta". Ashton conta sua vida, posta fotos intimas de sua mulher - para deixar com inveja qualquer paparazzi -, interage com o público e opina sobre assuntos, dos mais bizarros aos mais polêmicos. Ficou famoso o dia no Brasil em que o ator americano torcia com tupiniquins pelo twitter em um jogo Brasil X Eua.


Quando a ferramenta começou a fazer sucesso em águas nacionais, nossas celebridades decidiram que também queriam entrar na parada. Primeiramente, o twitter foi dominado por atores de stand-up, VJ's e afins - pessoas que já tinham aproximação com o público jovem e seus meios. Aos poucos, cantores, atores no geral, apresentadores, todos os tipos de famosos se increveram no site e foram pegos pelo vício do twitter.

Acontece que, vivemos em um país com um conceito um pouco deturbado de celebridade. Celebridade não necessariamente remete à uma pessoa celebre, que fez algo digno de aplausos. Celebridade é... bem, é qualquer pessoa que fez qualquer coisa que lhe rendeu 15 minutos de fama. Simples assim. E todos os tipos de celebridade, incluindo esse modo, vivem uma relação complicada com fãs e imprensa. Não conseguem se entender com o limite - ou não - que devem impor em sua vida. Não sabem o que dizer, quando dizer, como dizer, como agir, que hora quebrar a redoma e que hora se proteger. Ao se deparar com um mundo sem muros, sem redomas, seguranças, onde seu status só é importante para angariar um monte de seguidores e seu dinheiro é importante para absolutamente nada - excluindo o caso de você querer dar brindes para seus seguidores - nossos ilustres famosos não sabem como agir. Não sabem como agir sem a blindagem do empresário, do assessor, do segurança, do personagem.

Com isso, nos deparamos com famosos sem suas armaduras, pequenos frente a uma multidão e quase inocentes, sem saber como devem agir ou como esconder qualquer defeito que possa transparecer. O caso mais famoso, atualmente, é de Xuxa. A apresentadora, que assumiu a postura de rainha e se fechou em um conto com seu castelo e sua princesa, se assustou ao encarar, frente a frente, uma ferramenta na qual não podia censurar ou barrar comentários ofensivos - ou não - feitos a sua pessoa. No episódio da sena de Sasha, o que pesou não foi o erro de uma pré-adolescente. Mas sim a prepotência de uma mãe, que teve a capacidade de defender o problema - seja de digitação, de português, ou de qualquer outra coisa - de sua filha ignorando a importância de seus fãs e de sua lingua pátria. Afinal, declarar em tom de prepotência que sua filha foi alfabetizada em língua estrangeira e declarar que seus fãs não merecem conversar com ela ou sua cria, é no mínimo desdenhar aqueles que a acompanham e que, por um acaso do destino ou do país onde nasceram, foram alfabetizadas em... português!



A falta de jogo de cintura e o imenso ego de muitos famosos já detonaram outras discussões cibernéticas absurdas. Marcelo Tas já discutiu com Diogo Mainardi por causa de patrocínio em suas twittadas e levou o mesmo mote da discussão para umas alfinetadas virtuais com Luciano Huck, enquanto seu pupilo Danilo Gentilli já afetou muita gente com seus comentários irônicos. A última foi com Preta Gil, que já se desentendeu até com o google. Isso se pensarmos só nas celebridades tupiniquins mais seguidas e ignorarmos pitis de outras pessoas, como Adriane Galisteu, chorando as mágoas no twitter enquanto Dado Dolabella ganhava um milhão de reais no reality show A Fazenda, ou os denominados "Piratas do Twitter" (Junior Sandy, Marcos Mion, Repórter Vesgo, entre outros) que foram chorar para Ashton Kutcher ajuda em uma manifestação de sofá.


Enquanto nossos famosos não aprenderem que, para conversar com nós - reles mortais - basta agir como um reles mortal, saltos continuarão quebrando e nós continuaremos assistindo tudo de camarote. Afinal, nada como a política do pão e circo. E não adianta gritar por ajuda para titio @aplusk. Ele não é o Chapolim Colorado. Não poderá defender tanta gente.