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quinta-feira, 24 de junho de 2010

7
Um ano sem Michael Jackson - E o que o mundo perdeu?

Se passou um ano inteiro desde que o mundo perdeu Michael Jackson, e alguns ainda perguntam: quem ocupará o trono do Rei do Pop?

Sinceramente? Ninguém.


Não digo isso como fã de Michael Jackson, mas como fã de cultura pop. Michael Jackson foi simplesmente um fenômeno, desde o seu início. Você pode dar ouvido aos boatos, pode não gostar de sua vida pessoal, mas seu talento é inegável. Ele foi capaz de seduzir o mundo simplesmente andando para trás. Foi capaz de seduzir o mundo com uma jaqueta vermelha, sapatos pretos com as meias brancas aparecendo e uma luva prateada. Para ele, não era preciso fantasias, performances estranhas ou simulações de sexo. Bastava ele estar no palco.


Michael veio de uma época na qual talento era fundamental. Os artistas ainda não tinham toda a roupagem que acompanham os CDs hoje. Não é segredo para ninguém que, atualmente, você não precisa saber cantar. Seja simpático, faça algo que chame a atenção, que o resto a gente dá um jeito. Cria-se celebridades, mas artistas, poucos.


Já tentaram encontrar inúmeros substitutos para o cargo de Rei do Pop. A última matéria que ví citava Justin Timberlake, Britney Spears, Lady Gaga, Justin Bieber e Miley Cyrus. Não vou falar sobre os dois últimos, pois acho que o jornalista bebeu gasolina antes de escrever. Nada contra Justin Bieber, acredito que o menino tenha futuro. Apesar das meninas histéricas e da carinha de ídolo teen, creio que em alguns anos ele possa render algo. Miley Cyrus não sei se vai longe, não canta, não tem carisma e está seriamente seguindo os passos de Britney Spears para deixar sua vida pessoal ser mais importante que a profissional. Britney é uma vítima da mídia, temo que terá o mesmo fim trágico de MJ. Diria que os mais propícios a serem lembrados algum dia seriam Justin Timberlake e Gaga.


Justin tem talento. Canta, dança, compõe, produz, atua, se reinventa. Mas some muito para quem ainda não conseguiu cativar tanto público. Gaga tem apelo, mas nasceu agora, e como já disse, é muito circo para pouco palhaço. Sabe cantar? Sabe, sem dúvida. Já provou que sabe escrever. Mas ainda não conseguiu me provar que consegue manter o circo de pé depois que o público for embora. Muita cena, muita performance, pode simplesmente destruir o principal: a música. Mas como a própria já declarou, ainda é muito cedo para dar qualquer rótulo para Lady Gaga.


A grande vantagem de Michael Jackson é que ele cativou a todos, primeiramente, por sua música. Por sua dança. Não foi preciso um grande circo para provar que ele sempre teve talento. Aos poucos, Michael Jackson foi reescrevendo a história da música pop. Deu vida aos video clipes. Sabe esses vídeos que você assiste hoje em dia, com uma história, com um dançarino acompanhado por outros? Ele é o cara por trás disso. Michael deu uma nova dimensão para o que é um show, o que é uma turnê. Os shows de Michael Jackson sempre tiveram cenários. Sempre tiveram luzes. Fogos. Dançarinos. Mas sempre contaram com a banda, ali do lado dele. Pois mais do que saber entreter, é preciso saber cantar. Afinal, você é um cantor ou um miquinho de circo?


Uma coisa que sobra em Michael Jackson falta em muitos artistas da atualidade: carisma. Você pode não gostar da pessoa, mas conseguirá achar pelo menos uma performance que te deixará de boca aberta. Ele sempre teve o incrível dom de hipnotizar as pessoas ao pisar no palco. Seja com a voz. Seja com a dança.


O que perdemos com a passagem de MJ? Assista This is It, domingo da Rede Globo e quarta-feira na Warner para ver. Perdemos o show do século. Perdemos um artista que ainda tinha muito a oferecer. Imagine como estaria a história do pop hoje, depois da estreia de This is It? O show contaria com a participação de Madonna, negociavam a aparição de Britney Spears e Lady Gaga abriria as apresentações. Quer mais?


Infelizmente perdemos o cara. Perdemos a criatividade. Perdemos o que poderia ser um novo capítulo para a indústria pop. E não adianta. Podem surgir Ladys, Justins. Não haverá um novo Elvis. Não haverá um novo Beatles. Não haverá um novo Nirvana. E nunca, jamais, existirá um novo Michael Jackson. Ninguém conseguirá vestir seus sapatos. Vida longa ao eterno Rei do Pop.






Leia também:




Michael Jackson - King of Pop, Rock and Soul - depoimento de um fanático recente (yes, myBoyfriend). Ou simplesmente o depoimento de um fanático por música.

Michael Jackson fazendo bem até para sua saúde - depoimento da irmã fisioterapeuta, fã há 17 anos e responsável pela overdose de Michael Jackson na minha vida.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

9
Por que eu nunca doei sangue?

Por que eu nunca doei sangue?


Eu sou doadora universal. Para quem não sabe, isso significa que tenho sangue tipo O. Apesar de poder doar para todo mundo, só posso receber sangue de pessoas que também tenham tipo O. Por ser rh negativo, eu só posso receber de quem tenha rh negativo. Ou seja, apesar de poder doar para todo mundo, só quem tem sangue O- pode me doar. Mesmo lendo em alguns lugares que isso depende de X fatores, fico com a regra que aprendi no colégio. De qualquer forma, volto a pergunta: por que nunca doei sangue?


Meu pai também é O-. Eu brinco com ele que a gente já sabe onde achar sangue, quando precisar. Uma brincadeira besta, mas é bom saber o tipo sanguineo de quem te rodeia, você nunca sabe o que pode acontecer. Mais uma vez, por que nunca doei sangue?


Eu não tenho medo de agulhas. Faço exame de sangue de boa, nunca tive problemas com vacina e injeção. Por muito tempo não pude doar sangue por não ter peso suficiente para isso. Pois bem, passei a barreira dos 50kgs. Depois fiz um piercing, e teria que esperar um ano. Mas um ano depois, fiz outro piercing. Já se passou mais de um ano, e até agora, nada. Por que nunca doei sangue?


Acontece que a gente nunca faz ideia de como gestos simples podem ajudar. A gente não sabe o dia de amanhã. Não sabe se um conhecido um dia vai precisar desse tipo de ajuda. Não sabe se a gente vai precisar um dia desse tipo de ajuda. Então vivemos nossa vida. Continuamos a estudar, a trabalhar, temos a informação mas não fazemos nada. Eu sei que sou doadora universal. Eu sei que meu sangue faria bem para muita gente. Eu sei que com apenas uma unidade de sangue que eu doasse, três vidas já estariam salvas. Por que até agora não me mexi?


Uma mensagem que retuitaram hoje me chamou a atenção para esse assunto.

1 ano peço doação ou q me ajudem na campanha p/ doação de sangue p/ meu avô receptor universal,ninguém da RT

Na hora retuitei, mas me veio o pensamento: "e daí se todo mundo retuitar? no que isso muda? será que ninguém vai se mexer para ajudar?". E me lembrei "sou doadora universal". Lembro de falar isso com muito orgulho quando descobri, lá pelos meus 14 anos. "Uau, meu sangue pode salvar o mundo". Me senti quase a filha do superman. Será que não está na hora de usar meus poderes?


Se você mora em São Paulo, já pode dar uma grande ajuda. A mensagem original, que coloquei aí em cima, veio do twitter do Fabiano e da Leticia. O avô precisa de doação de sangue. Por que não ajudar? O senhor Klinger Pavani precisa de doação. Se encaminhe para o Hospital do Câncer,na R. Prof. Antonio Prudente, Liberdade, São Paulo e ajude. A doação pode ser feita de 2ª a 6ª feira das 8h as 18h e nos sábados até as 17h. Quem precisar de mais informações, pode ligar no (11)21892233.


E você pode ajudar sempre. Pode ir no hemocentro da sua cidade, pode se tornar um doador ativo, é simples! Basta respeitar as restrições, você ganha dispensa do trabalho e ainda embolsa um lanchinho. O que é melhor? Você será o responsável por salvar muitas vidas. Quando, em toda sua existência, você pensou que poderia fazer isso? Como diria Michael Jackson, vamos parar de existir e começar a viver.


Aqui, aqui e aqui você encontra mais informações sobre doação de sangue. Não custa nada, e a satisfação de saber que você pode ser útil para a humanidade é maior do que qualquer dor com a agulha.


Se você tem a capacidade de retuitar um "Cala a Boca Galvão", se você consegue ficar horas na fila do cinema para assistir a saga Crepúsculo na estreia, você consegue parar um minuto para passar essa mensagem adiante e fazer o seu papel de super herói.


Por que você ainda não doou sangue?
Eu estou pronta para tirar meu atraso. Vamos?


terça-feira, 11 de maio de 2010

18
Drogado ou Gay? Como você prefere o seu filho?


Já ouvi algumas vezes senhoras dizerem que "preferem ter um filho drogado e viciado a um filho homossexual". A explicação para tal preferência? "Pois o drogado pode ser curado". Vamos pensar.


Um filho drogado é dependente químico. A distância entre o inicio da dependência e a chegada ao fundo do poço pode ou não ser longa, pode ou não existir. O caminho percorrido encontra violência, agressão, roubos, qualquer coisa para se conseguir suprir o vicio. Já acompanhei casos de perto. Caso de filhos de classe média, que apesar de inúmeras internações, continuaram com o seu vício, agredindo família, namoradas, amigos. Filhos de classe média que perto dos 30 anos não conseguiram se formar em uma faculdade e nem se estabilizar em um emprego.


Vamos para o filho gay. Vou citar um exemplo próximo, um amigo meu. Formado em jornalismo também, antes dos 25 anos conseguiu se estabilizar em uma das maiores emissoras do mundo. Respeitadíssimo no trabalho, assume diversas funções, faz tudo na mais perfeita perfeição. É um filho amoroso. Gosta de ter a companhia dos pais no tempo livre. Agrada a mãe sempre que pode, dá satisfações dos lugares que vai e nunca a deixa preocupada. Tem amigos, mantém relacionamentos sérios, estáveis. A diferença? É gay. Gosta de homens.


Tire o "drogado" da primeira descrição. Tire o "gay" da última descrição. Que filho você preferia ter? Quem precisa ser curado?



O interessante de se comentar programas populares como o Big Brother é a gama de assuntos aleatórios que ele incita. Peca aquele que acredita que com esse tipo de programa não se pode tentar discussões mais sérias na sociedade. Nesse ano, por exemplo, tivemos o tal Big Brother colorido. Três homossexuais assumidos entraram no programa. Um gay, uma drag queen e uma lésbica. Em contrapartida, o programa apresentou uma figura completamente alheia àquele universo: um lutador conhecido por seu comportamento machista.


Essa diferença fez com que um termo um tanto quanto estranho fosse levantado: heterofobia. A torcida do lutador alegava que ele sofria preconceito por ser heterossexual. O lutador muitas vezes disse estar defendendo "a bandeira da heterossexualidade", e em entrevistas após o término do programa garantiu que "sofreu heterofobia". Fobia, segundo a definição do dicionário, é a aversão a alguma coisa ou um medo mórbido. Procure homofobia no dicionário.

homofobia

ho.mo.fo.bi.a

(homo(ssexual)+fobo+ia1) sf 1 Preconceito contra os homossexuais. 2 Ódio aos homossexuais, muitas vezes levando à violência física.

Agora, procure heterofobia.

Nenhuma palavra encontrada.

Estamos inseridos em uma sociedade de maioria heterossexual, ou seja, onde a maioria sente atração pelo sexo oposto. Em uma sociedade patriarcal, machista, onde o homem - heterossexual - tem a última palavra. Como então dizer que um heterossexual assumidamente ligado aos conceitos patriarcais sofreu preconceito por... fazer parte da maioria? Ou, traduzindo para o português mais simples possível: como um homem sofreu preconceito por gostar de mulher?



É dificil pensar que em pleno século XXI as pessoas podem ser julgadas pela forma de expressar o amor. No que te afeta alguém gostar do mesmo sexo? Isso tira suas posses? Mexe com a segurança da sua família? Qual o porquê de se sentir incomodado com uma manifestação de afeto?


Nota-se aqui que o exemplo do Big Brother é apenas um pano de fundo para uma questão maior. Um programa popular, que envolve milhares de opiniões do Brasil inteiro, bem ou mal, reflete a opinião de uma maioria. Uma torcida que se movimentou com afinco para fazer um campeão baseado em clichês machistas e humilhações àqueles que não se enquadram no quesito da heterossexualidade é algo para se assustar. Durante três meses, quem acompanha o programa pode ver manifestações e opiniões violentas, chulas, denegrindo a imagem de participantes homossexuais, julgando sua sexualidade como um tipo de defeito. Situações que chegaram ao ponto de participantes precisarem recorrer à seguranças profissionais para garantirem a sua integridade física.

Ainda há muito no que se avançar. Faço parte de uma geração que aceita melhor o diferente, que aprendeu que a convivência de brancos, negros, japoneses, indios, gays, heterossexuais, bissexuais, pansexuais ou seja lá o que você seja, é normal. É saudavel. Todos agem assim? Não. Mas jovens já encontram um ambiente mais seguro para assumirem suas preferências, se assumirem e poderem conviver em paz.


Apesar disso, o equilibrio ainda não está perfeito. Ainda vemos notícias de jovens que são maltratados, espancados, humilhados ou até mesmo - pasmem - mortos por sua orientação sexual. Ainda existem grupos que se acham no direito de agredirem o outro por não fazer parte de uma "maioria". Esse mesmo grupo que espanca gays é o que acredita que mulher é inferior, que negro não presta. Que conceitos são esses? O que nos faz tão diferentes?


Piadas e insinuações a respeito de orientações sexuais são imensas. Graças à nossa sociedade machista. Afinal, homem homossexual é boiola, é viado, é anormal. Mulher homossexual é objeto de desejo de filmes pornôs. Afinal, ela vai querer se relacionar com a outra mulher e com o cara, não é mesmo? E o cara vai poder se relacionar com as duas, não é?


Como quebrar esse estigma machista? Como educar uma sociedade para aceitar o diferente, que nem tão diferente é? Todos namoram. Todos se relacionam. Qual a diferença se isso é feito com o mesmo sexo ou o sexo oposto? No que isso te fere?


Há um tempo atrás, os Estúdios Mauricio de Sousa publicou uma história que rendeu polêmica. Dentro da linha jovem da Turma da Mônica, temos a Revista da Tina - jovem estudante de jornalismo que vive os conflitos das pessoas de sua idade. Tina apareceu, certa vez, com um amigo gay.


A história não deixou claro que o menino é gay. Insinuou, discutiu levemente o preconceito, mas parou por aí. Mesmo assim, gerou protestos de pais que acreditaram que uma simples historinha poderia influenciar na educação sexual de seus filhos de forma que julgassem negativa. Mas por que não mostrar para as crianças, desde cedo, que existem pessoas que gostam do mesmo sexo?


O egoísmo destrói relações. O egoísmo de se achar que, só porque alguém não tem as mesmas ideias que você, os mesmos conceitos, ele está errado. A sociedade avançou, mas ainda falta muito para que todos alcancem o fim do arco-íris e descubram que, lá no final, não tem um pote de ouro. Mas tem pessoas convivendo alegre e harmoniosamente, independente de sua cor, etnia, classe social ou orientação sexual.


E no fim, que filho você prefere ter?
Eu prefiro um filho gay*.






*gay, em inglês, é um termo que se refere a "feliz".

segunda-feira, 19 de abril de 2010

3
Muito além do Cidadão Kane e do Big Brother...

Primeiro, desculpem-me pela ausência dos posts na maneira como foi prometido. Mas expliquei o motivo aqui, no Cai Muita Chuva. Espero que entendam e não me abandonem. ;)

Peço licença para sair mais uma vez do combinado e postar algo que não foi pré programado. Mas duas notícias de hoje me chamaram a atenção e acho que merecem um destaque, pois gostaria muito de ler a opinião de vocês a respeito.

Aparentemente, o pessoal teoria da conspiração enxergou na campanha comemorativa de 45 anos da Globo uma campanha eleitoral.

Na minha opinião?

Tem louco para tudo.

Se a Rede TV, daqui três anos, quando completar 13 anos de existência decidir fazer uma campanha dizendo o quanto acha o "13" legal, não acharei que ela estará do lado do PT. Mas, de qualquer modo, foi bom mesmo a Globo tirar a campanha do ar. Estava muito feia...


Em contra partida, a Isto É postou uma notícia hoje que os meus amiguinhos do Cartas para Bial publicaram em seu espaço:

Se uma campanha meramente comemorativa foi tirada do ar por desconfiarem de sua credibilidade e idoneidade, o que dizer de um programa que envolve participação do público e dinheiro de terceiros? Por que a Globo nunca se manifestou a respeito dessas acusações ou não c0mprova a auditoria de seu programa de maior audiência e rentabilidade?

Será que é dificil uma posição mudar 21 anos depois? O que o Cidadão Kane tanto esconde?


Fica a tentativa de reflexão e espero vocês aqui sexta-feira, com a programação normal!

terça-feira, 13 de abril de 2010

41
A Violenta Turma da Mônica...


Um tempo atrás li um artigo do polêmico Dioclécio Luz, no Observatório da Imprensa, com o título de "Violência na Turma da Mônica". No texto, o jornalista afirma que os personagens de Mauricio de Sousa são mau exemplos para as crianças. Por que? Porque Mônica "resolve tudo na porrada", Cascão não toma banho, Magali tem "uma compulsão exagerada por alimento", Chico Bento "é uma visão elitista do campo" e o Cebolinha... bem, coitado, o Cebolinha nem foi lembrado. Basicamente, uma pessoa que lê Turma da Mônica se transforma em um adulto violento, sem higiene, com compulsões alimentares e preconceito com o campo. Isso se não calhar de falar errado.


Leio Turma da Mônica desde que comecei a ler. É companhia constante. Hoje, quase 20 anos depois da minha primeira leitura, gibi ainda é a primeira coisa que procuro quando vou para uma livraria. E hoje, o que sou? Sou uma jornalista que gosta muito de ler e escrever, que respeita a família e tem valores um tanto quanto tradicionais. Tomo banho todos os dias, não brigo por qualquer besteira, não como compulsivamente e ler histórias do Chico Bento só me faz pensar o quanto o campo é legal.


Resumir os personagens principais às suas características mais fortes é perder um universo recheado de conflitos e histórias interessantes. Mônica é uma menina de gênio forte, que perde a paciência fácil, mas acima de tudo gosta de defender aqueles que ama e espera ser aceita por seus amigos do jeito que é. Magali é uma menina que come bastante, mas está em fase de crescimento. Como toda criança, curte comer uma besteira - cachorro-quente, pipoca, chocolate. Mas qual é a sua comida preferida? Melancia. Quantas vezes não li histórias nas quais a Magali se deliciava com um... purê de abobrinha? Apesar de Cascão apresentar aversão à água, nunca foi afirmado 100% que ele nunca chegou perto de um líquido. Ao contrário, já acompanhamos historinhas - e até mesmo capas de gibi - nas quais Cascão aparecia lavando as mãos. Como muita criança, o personagem apresenta aquele medo - que ninguém entende- de tomar banho.


Dentro desse contexto, vemos os personagens convivendo com suas características e mostrando que, acima de tudo, mantém a amizade e respeitam suas diferenças. As crianças se provocam, mas se defendem. Lembro de ouvir muito quando era criança de que, se uma criança provoca a outra, é porque gosta dela. Na situação menino-menina. É uma situação constante no universo Cebolinha-Mônica. Nas histórias que mostram os personagens mais velhos, os dois sempre mantém um relacionamento. Ironia?



Mauricio de Sousa criou os personagens inspirado em amigos de infância e em seus filhos. Pegou as suas características mais marcantes e inundou em um universo infantil, que a cada ano se atualiza e se relaciona com situações vividas pelas crianças da época. Isso, obviamente, com a magia das Hqs, que permitem situações que, no mundo "real", talvez não fossem tão normais. Mas com base em que se define o que é real, aceitável ou correto?


Querer fazer um artigo baseado em características usuais de personagens de histórias em quadrinhos, sem fazer uma pesquisa mais profunda, é empobrecer demais um texto jornalístico. Muito me admira um jornalista, com tamanha experiência, não se dar ao trabalho de sair do senso comum e analisar de verdade o rico universo criado por Mauricio de Sousa. Além dos já conhecidos personagens principais, temos outros com os mais diferentes jeitos, tudo para que os leitores possam se identificar. Temos o loiro, o cientista, o negro, o japonês, o cadeirante, a deficiente visual, o deficiente auditivo, o filho de pais separados, o viciado em internet, o viciado em TV. Personagens diferentes que, acima de tudo, se respeitam e mostram para seus leitores que é possível conviver em paz com pessoas que não são iguais a você.



Apesar da era do politicamente correto, todo esse rico universo criado por Mauricio de Sousa se traduz em histórias atuais, com doses de ironia e sarcasmo, que conseguem, além de passar a mensagem principal, rir dos próprios clichês que as historinhas criam. Os estúdios Mauricio de Sousa contam com roteiristas sagazes o suficiente que brincam com o universo infantil e inserem piadas que agradam adultos. Além disso, as publicações contam com uma gama de edições voltadas aos mais velhos, como a Turma da Mônica Jovem e a Revista da Tina.


Querer acreditar que uma simples leitura de gibi pode criar monstros é o mesmo que dar a culpa aos video games pela violência e ao Pac Man pelas raves. É demais pensar que a educação dada pelos pais vem em primeiro lugar? E é demais pensar que, ao ler uma história, a pessoa não pode pegar o que de melhor tem nela? Não pode, por exemplo, pegar o recado dado pelo personagem Anjinho, quando diz ao Cascão que é importante limpar seu quarto? Quando diz a Mônica que é importante perdoar os amiguinhos? Ou ao Cebolinha que não se deve provocar os outros? Somos perfeitos? Sem defeitos? Qual a graça em ler histórias com personagens completamente irreais, até mesmo dentro da magia do faz-de-conta?


Apesar do reconhecimento, acredito que o Brasil ainda não dê o devido valor ao gênio que temos. Enaltecemos escritores internacionais, desenhistas, mas esquecemos que temos um produto brasileiro rico o suficiente para brigar com os gringos. E não digo brigar a base de coelhadas, mas brigar na qualidade editorial e gráfica. Não reconhecer isso é querer se internacionalizar demais. Não reconhecer o trabalho social exercido pela Turma da Mônica, sua importância, as revistas temáticas, educativas, o apoio que a leitura de gibis dá ao aprendizado de milhares de crianças, é não valorizar um trabalho nacional magnífico.



Palmas para Mauricio de Sousa, que dentro de uma sociedade retrógrada, falsamente moralista e que se julga politicamente correta, consegue manter viva uma turminha cheia de defeitos, mas que mora no imaginário de muitos brasileiros que não conseguem imaginar sua infância sem essas companhias. Palmas para os roteiristas que conseguem reciclar suas ideias e criarem cada vez situações mais interessantes. Palmas para os brasileiros que conseguem reconhecer o gênio que temos em nosso país. Eles tem Walt Disney? Grande coisa. Nós temos Mauricio de Sousa.



PS: Post com selo de qualidade Mauricio de Sousa. Sem mais! :)

domingo, 11 de abril de 2010

1
Primeiro resultado da nossa votação!

Votações feitas, vamos aos resultados?


71% dos votantes (estou me sentindo super importante) escolheram que os posts sejam publicados de 3ª e 6ª, contra 17% que preferiram 5ª e domingo e 10% que optaram por 4ª feira e sábado.

Ou seja: MARQUEM NOS CELULARES- Posts novos do Cai Muita Garoa toda terça-feira e sexta-feira!



E agora... sobre o que falará o primeiro post da nova fase do Cai Muita Garoa?
















Turma da Mônica!


Com 42% dos votos, iremos conversar sobre o tal texto do famoso jornalista que desconstruiu os personagem de Mauricio de Sousa e julgou a turma como incentivadora de violência e maus hábitos. Teria ele razão?



Espero vocês aqui terça-feira!

Enquanto isso, votem no tema para sexta-feira e deixem suas sugestões de novos tópicos!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

4
Organizando a bagunça!

Vamos colocar a casa em ordem?


Criei esse espaço para poder discutir com todos assuntos mais amplos, que fogem das editorias irônicas/sarcásticas/humorísticas do Cai Muita Chuva. Mas bem, como deu para perceber, quase um ano depois, postei pouco. Então, vamos organizar o espaço!

Como comecei a perguntar no twitter, quero sugestões de vocês! O que querem ler? O que acham interessante? Inspirada em algumas sugestões que já recebi, ao lado a enquete dos primeiros temas:

- Heterofobia x Homofobia
Assunto tão em pauta em tempos de BBB...

- Criminalidade x Maioridade
Já foi discussão no twitter. Diminuir a maioridade penal ajudaria na redução do crime? O que é certo? Um menor pode ser julgado pelo crime que comete como uma pessoa adulta?

- População x Governo
Trânsito, transporte coletivo precário, enchentes, de quem é a culpa?

- Turma da Mônica
Um famoso jornalista levantou recentemente uma polêmica: desconstruiu os personagens de Mauricio de Sousa e julgou a turma como incentivadora de violência e maus hábitos. Teria ele razão?

- Fanatismo x Televisão
Como entender as paixões platônicas e o fanatismo exacerbado que nascem em programas de TV, como acompanhamos na última edição do BBB e com o surgimento de uma torcida fanática?

- Aparência, importa?
Magra, loira, gorda, forte, baixo. Como a busca pela perfeição e por uma figura ideal pode atrapalhar a vida dos jovens?



Deixo também, nas mãos de vocês, a escolha pelos melhores dias para que os textos do Cai Muita Garoa sejam publicados. O blog terá novos assuntos 2 vezes por semana. Concordam?


Sintam-se a vontade para opinar, sugerir temas e votar nas enquetes. O resultado das datas sai sexta-feira, quando o primeiro texto já começará a ser preparado!


Agora, ninguém mais reclama que o Cai Muita Garoa está parado! ;)