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É proibido fumarÉ proibido fumar Imaginem o cenário: sábado a noite. Vila Madalena, o bairro dos bares de São Paulo. Pub, lugar direcionado para consumo de bebidas. Imaginaram? Pois bem, agora acrescentem o seguinte detalhe à cena: ninguém está fumando!

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segunda-feira, 19 de abril de 2010

3
Muito além do Cidadão Kane e do Big Brother...

Primeiro, desculpem-me pela ausência dos posts na maneira como foi prometido. Mas expliquei o motivo aqui, no Cai Muita Chuva. Espero que entendam e não me abandonem. ;)

Peço licença para sair mais uma vez do combinado e postar algo que não foi pré programado. Mas duas notícias de hoje me chamaram a atenção e acho que merecem um destaque, pois gostaria muito de ler a opinião de vocês a respeito.

Aparentemente, o pessoal teoria da conspiração enxergou na campanha comemorativa de 45 anos da Globo uma campanha eleitoral.

Na minha opinião?

Tem louco para tudo.

Se a Rede TV, daqui três anos, quando completar 13 anos de existência decidir fazer uma campanha dizendo o quanto acha o "13" legal, não acharei que ela estará do lado do PT. Mas, de qualquer modo, foi bom mesmo a Globo tirar a campanha do ar. Estava muito feia...


Em contra partida, a Isto É postou uma notícia hoje que os meus amiguinhos do Cartas para Bial publicaram em seu espaço:

Se uma campanha meramente comemorativa foi tirada do ar por desconfiarem de sua credibilidade e idoneidade, o que dizer de um programa que envolve participação do público e dinheiro de terceiros? Por que a Globo nunca se manifestou a respeito dessas acusações ou não c0mprova a auditoria de seu programa de maior audiência e rentabilidade?

Será que é dificil uma posição mudar 21 anos depois? O que o Cidadão Kane tanto esconde?


Fica a tentativa de reflexão e espero vocês aqui sexta-feira, com a programação normal!

terça-feira, 13 de abril de 2010

41
A Violenta Turma da Mônica...


Um tempo atrás li um artigo do polêmico Dioclécio Luz, no Observatório da Imprensa, com o título de "Violência na Turma da Mônica". No texto, o jornalista afirma que os personagens de Mauricio de Sousa são mau exemplos para as crianças. Por que? Porque Mônica "resolve tudo na porrada", Cascão não toma banho, Magali tem "uma compulsão exagerada por alimento", Chico Bento "é uma visão elitista do campo" e o Cebolinha... bem, coitado, o Cebolinha nem foi lembrado. Basicamente, uma pessoa que lê Turma da Mônica se transforma em um adulto violento, sem higiene, com compulsões alimentares e preconceito com o campo. Isso se não calhar de falar errado.


Leio Turma da Mônica desde que comecei a ler. É companhia constante. Hoje, quase 20 anos depois da minha primeira leitura, gibi ainda é a primeira coisa que procuro quando vou para uma livraria. E hoje, o que sou? Sou uma jornalista que gosta muito de ler e escrever, que respeita a família e tem valores um tanto quanto tradicionais. Tomo banho todos os dias, não brigo por qualquer besteira, não como compulsivamente e ler histórias do Chico Bento só me faz pensar o quanto o campo é legal.


Resumir os personagens principais às suas características mais fortes é perder um universo recheado de conflitos e histórias interessantes. Mônica é uma menina de gênio forte, que perde a paciência fácil, mas acima de tudo gosta de defender aqueles que ama e espera ser aceita por seus amigos do jeito que é. Magali é uma menina que come bastante, mas está em fase de crescimento. Como toda criança, curte comer uma besteira - cachorro-quente, pipoca, chocolate. Mas qual é a sua comida preferida? Melancia. Quantas vezes não li histórias nas quais a Magali se deliciava com um... purê de abobrinha? Apesar de Cascão apresentar aversão à água, nunca foi afirmado 100% que ele nunca chegou perto de um líquido. Ao contrário, já acompanhamos historinhas - e até mesmo capas de gibi - nas quais Cascão aparecia lavando as mãos. Como muita criança, o personagem apresenta aquele medo - que ninguém entende- de tomar banho.


Dentro desse contexto, vemos os personagens convivendo com suas características e mostrando que, acima de tudo, mantém a amizade e respeitam suas diferenças. As crianças se provocam, mas se defendem. Lembro de ouvir muito quando era criança de que, se uma criança provoca a outra, é porque gosta dela. Na situação menino-menina. É uma situação constante no universo Cebolinha-Mônica. Nas histórias que mostram os personagens mais velhos, os dois sempre mantém um relacionamento. Ironia?



Mauricio de Sousa criou os personagens inspirado em amigos de infância e em seus filhos. Pegou as suas características mais marcantes e inundou em um universo infantil, que a cada ano se atualiza e se relaciona com situações vividas pelas crianças da época. Isso, obviamente, com a magia das Hqs, que permitem situações que, no mundo "real", talvez não fossem tão normais. Mas com base em que se define o que é real, aceitável ou correto?


Querer fazer um artigo baseado em características usuais de personagens de histórias em quadrinhos, sem fazer uma pesquisa mais profunda, é empobrecer demais um texto jornalístico. Muito me admira um jornalista, com tamanha experiência, não se dar ao trabalho de sair do senso comum e analisar de verdade o rico universo criado por Mauricio de Sousa. Além dos já conhecidos personagens principais, temos outros com os mais diferentes jeitos, tudo para que os leitores possam se identificar. Temos o loiro, o cientista, o negro, o japonês, o cadeirante, a deficiente visual, o deficiente auditivo, o filho de pais separados, o viciado em internet, o viciado em TV. Personagens diferentes que, acima de tudo, se respeitam e mostram para seus leitores que é possível conviver em paz com pessoas que não são iguais a você.



Apesar da era do politicamente correto, todo esse rico universo criado por Mauricio de Sousa se traduz em histórias atuais, com doses de ironia e sarcasmo, que conseguem, além de passar a mensagem principal, rir dos próprios clichês que as historinhas criam. Os estúdios Mauricio de Sousa contam com roteiristas sagazes o suficiente que brincam com o universo infantil e inserem piadas que agradam adultos. Além disso, as publicações contam com uma gama de edições voltadas aos mais velhos, como a Turma da Mônica Jovem e a Revista da Tina.


Querer acreditar que uma simples leitura de gibi pode criar monstros é o mesmo que dar a culpa aos video games pela violência e ao Pac Man pelas raves. É demais pensar que a educação dada pelos pais vem em primeiro lugar? E é demais pensar que, ao ler uma história, a pessoa não pode pegar o que de melhor tem nela? Não pode, por exemplo, pegar o recado dado pelo personagem Anjinho, quando diz ao Cascão que é importante limpar seu quarto? Quando diz a Mônica que é importante perdoar os amiguinhos? Ou ao Cebolinha que não se deve provocar os outros? Somos perfeitos? Sem defeitos? Qual a graça em ler histórias com personagens completamente irreais, até mesmo dentro da magia do faz-de-conta?


Apesar do reconhecimento, acredito que o Brasil ainda não dê o devido valor ao gênio que temos. Enaltecemos escritores internacionais, desenhistas, mas esquecemos que temos um produto brasileiro rico o suficiente para brigar com os gringos. E não digo brigar a base de coelhadas, mas brigar na qualidade editorial e gráfica. Não reconhecer isso é querer se internacionalizar demais. Não reconhecer o trabalho social exercido pela Turma da Mônica, sua importância, as revistas temáticas, educativas, o apoio que a leitura de gibis dá ao aprendizado de milhares de crianças, é não valorizar um trabalho nacional magnífico.



Palmas para Mauricio de Sousa, que dentro de uma sociedade retrógrada, falsamente moralista e que se julga politicamente correta, consegue manter viva uma turminha cheia de defeitos, mas que mora no imaginário de muitos brasileiros que não conseguem imaginar sua infância sem essas companhias. Palmas para os roteiristas que conseguem reciclar suas ideias e criarem cada vez situações mais interessantes. Palmas para os brasileiros que conseguem reconhecer o gênio que temos em nosso país. Eles tem Walt Disney? Grande coisa. Nós temos Mauricio de Sousa.



PS: Post com selo de qualidade Mauricio de Sousa. Sem mais! :)

domingo, 11 de abril de 2010

1
Primeiro resultado da nossa votação!

Votações feitas, vamos aos resultados?


71% dos votantes (estou me sentindo super importante) escolheram que os posts sejam publicados de 3ª e 6ª, contra 17% que preferiram 5ª e domingo e 10% que optaram por 4ª feira e sábado.

Ou seja: MARQUEM NOS CELULARES- Posts novos do Cai Muita Garoa toda terça-feira e sexta-feira!



E agora... sobre o que falará o primeiro post da nova fase do Cai Muita Garoa?
















Turma da Mônica!


Com 42% dos votos, iremos conversar sobre o tal texto do famoso jornalista que desconstruiu os personagem de Mauricio de Sousa e julgou a turma como incentivadora de violência e maus hábitos. Teria ele razão?



Espero vocês aqui terça-feira!

Enquanto isso, votem no tema para sexta-feira e deixem suas sugestões de novos tópicos!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

4
Organizando a bagunça!

Vamos colocar a casa em ordem?


Criei esse espaço para poder discutir com todos assuntos mais amplos, que fogem das editorias irônicas/sarcásticas/humorísticas do Cai Muita Chuva. Mas bem, como deu para perceber, quase um ano depois, postei pouco. Então, vamos organizar o espaço!

Como comecei a perguntar no twitter, quero sugestões de vocês! O que querem ler? O que acham interessante? Inspirada em algumas sugestões que já recebi, ao lado a enquete dos primeiros temas:

- Heterofobia x Homofobia
Assunto tão em pauta em tempos de BBB...

- Criminalidade x Maioridade
Já foi discussão no twitter. Diminuir a maioridade penal ajudaria na redução do crime? O que é certo? Um menor pode ser julgado pelo crime que comete como uma pessoa adulta?

- População x Governo
Trânsito, transporte coletivo precário, enchentes, de quem é a culpa?

- Turma da Mônica
Um famoso jornalista levantou recentemente uma polêmica: desconstruiu os personagens de Mauricio de Sousa e julgou a turma como incentivadora de violência e maus hábitos. Teria ele razão?

- Fanatismo x Televisão
Como entender as paixões platônicas e o fanatismo exacerbado que nascem em programas de TV, como acompanhamos na última edição do BBB e com o surgimento de uma torcida fanática?

- Aparência, importa?
Magra, loira, gorda, forte, baixo. Como a busca pela perfeição e por uma figura ideal pode atrapalhar a vida dos jovens?



Deixo também, nas mãos de vocês, a escolha pelos melhores dias para que os textos do Cai Muita Garoa sejam publicados. O blog terá novos assuntos 2 vezes por semana. Concordam?


Sintam-se a vontade para opinar, sugerir temas e votar nas enquetes. O resultado das datas sai sexta-feira, quando o primeiro texto já começará a ser preparado!


Agora, ninguém mais reclama que o Cai Muita Garoa está parado! ;)


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

3
Como você volta para casa? Carro, metrô ou barco?

Por mais incrível que pareça, isso não é um rio. Não é um córrego. É um trecho da Avenida Moreira Guimarães, parte do Corredor Norte Sul, a tal e famosa 23 de maio, em São Paulo. Foto tirada pelo celular, as 19h17, enquanto a zona sul de São Paulo se transformava no mais novo rio do estado.


Culpa de quem?

São Pedro?

Governo?

Dos duendes?


Sinto informar que a culpa é pura e simplesmente da população.

Sabe aquele papelzinho de bala que você joga no chão, que não influencia em nada?

Sabe aquele cigarro que vc larga no chão sem ao menos apagar?

Sabe aquele papel de cartão de crédito que oops, você sem querer deixou cair?



Como sabiamente disse Michael Jackson durante seus ensaios do This is It, todos tem mania de culpar os outros. "É culpa do governo". "Eles irão concertar" "Eles tem a solução". Eles quem? A solução está na gente. Nós temos que mudar. Nós temos que nos policiar.


Segue vídeo de "Earth Song", música escrita por Michael Jackson em 1995. Incrivelmente como 15 anos depois ela ainda casa com a situação.


Porque as vezes é melhor desencanar de comprar um carro e já garantir seu espaço na Arca de Noé...

domingo, 8 de novembro de 2009

8
Uma Universidade e Um Vestido Rosa...

Um assunto um tanto quanto estranho tem tomado a mídia nas últimas semanas. Como todos que acompanham noticiário sabem, uma aluna do curso de turismo da Uniban, campus SBC, causou alvoroço entre seus colegas de faculdade por usar um microvestido rosa pink durante a aula. Na internet, foi postado um vídeo onde a aluna era escoltada para fora do campus com o auxilio da polícia, enquanto alunos aglomerados em volta gritavam a palavra "Puta!". O vídeo causou polêmica.. "quem é essa aluna?" "qual o tamanho do vestido?" "quem são os alunos aglomerados?" "oh Meu Deus, estamos no Talibã?"

Nas últimas semanas, essa história ganhou proporções maiores do que deveria. A aluna, distribuiu entrevistas pela mídia, participou de programas, a título de "a garota humilhada da Uniban". Os alunos da universidade, por outro lado, deram alguns depoimentos, dizendo que o comportamento da estudante sempre foi provocativo, com trajes curtos e inadequados, na tentativa de chamar a atenção durante as aulas. A "humilhada", frente a esse fato, alegou se vestir como "todas as outras garotas": com decotes, vestidos curtos e jeans colados.

Muitas comparações estranhas foram feitas nessa história. Pessoas "abismadas" sobre como que no país do carnaval, da mulher melancia, uma aluna é humilhada por ir de mini vestido para aula. Pois bem, vamos organizar esse fato?

Um erro não justifica o outro. Não é pelo fato de termos um carnaval desnudo ou "ídolos popularescos" como mulher melancia, que devemos considerar normal pessoas se vestirem de formas erradas em ambientes coletivos. É motivo de orgulho para alguém as mulheres peladas na avenida ou uma mulher carregar com felicidade a alcunha de uma fruta? Precisamos analisar esse fato de um modo simples: em regras da sociedade, até em regras internas de certas entidades, é preciso se adequar ao ambiente que se está para vestir alguma roupa. Em uma instituição de ensino ou em um ambiente de trabalho, por exemplo, não são aconselháveis decotes, roupas justas ou grudadas. Homem costuma não poder trabalhar de bermuda ou ir a universidade/colégio de camiseta regata (já ouvi muitas reclamações a respeito). Por que uma mulher pode ir de vestido curto, então?

Hoje a universidade Uniban soltou um comunicado declarando a expulsão da aluna e a punição de quem causou o tumulto. Declarou que a estudante em questão sempre teve comportamento e vestimentas inadequadas, já foi alertada diversas vezes mas nunca tomou providências. Bem ou mal, precisamos aceitar: é uma instituição de ensino particular. Eles tem o direito de elaborar suas regras e seus precedentes para aceitar ou não alunos. Eu sempre achei que essa história era um pouco mais longa do que aquela divulgada na mídia. Não consigo acreditar que a comoção pública na faculdade foi resultado apenas de um único vestido.



É assim que a aluna diz que estava vestida naquele dia. Agora, vamos combinar. Não. Não era assim. Qualquer pessoa que já viu um vestido desse pessoalmente, sabe que ele não é desse tamanho. Esse tipo de vestido sobe ao primeiro passo, ficando do tamanho de, no máximo, um palmo. Ele não é do tamanho que a foto mostra, onde está, claramente, esticado.




Foi errada a atitude dos alunos da Uniban? Foi. Independente do vestido, da pessoa, do histórico da pessoa, em momento algum deve-se tentar humilhar alguém, ainda mais por um fato tão banal. A Uniban deveria sim ter contido seus alunos antes do assunto tomar tamanha proporção. Onde estavam os professores, os diretores, o reitor dessa faculdade enquanto isso acontecia?

Agora, nada justifica a expulsão da estudante da faculdade. Tendo em vista que a vitima da agressão foi ela, porque motivo ela deve sair da cena do crime? Se o fato chegou a esse ponto, pode-se acreditar que a Uniban não tomou todas as medidas que garante ter tomado antes de expulsar a garota. E aqueles que gritavam, criaram o tumulto, pararam um dia letivo, não deveriam esses ter o mesmo destino?

A universidade estava errada ao permitir que um escândalo acontecesse dentro de seu espaço. Os alunos errados ao atacarem moralmente assim uma pessoa, que além de tudo estava sozinha e sem chances de defesa. A aluna errada ao não saber se adequar - como podemos dizer, vestimentalmente?! - dentro de uma instituição de ensino. Enquanto isso, devido a cobertura que o caso tomou, a aluna aproveita a situação para ocupar, muito bem, o papel de vítima. A universidade para ocupar, muito bem, o papel de acusadora. E nós, meros espectadores de uma história tão absurda, ocupamos aqui o papel de julgadores, mesmo sem merecermos esse lugar, já que nunca saberemos a história completa que culminou na degradação de um mini vestido rosa pink.

domingo, 1 de novembro de 2009

7
Uma visão sobre This is It - Michael Jackson



Perdemos um grande show. É o melhor comentário que podemos fazer ao assistir "This is It". A volta de Michael Jackson aos palcos estava sendo detalhadamente preparada, e o que poderiamos esperar é um show como o mundo não via há muito tempo.

O que vemos no filme é um Michael Jackson que os fãs já conheciam. Profissional. Educado. Amável. Perfeccionista. Criança. Um Michael Jackson que conhece profundamente suas músicas, cada nota, cada levada. Conhece o gosto de seus fãs. Conhece todos os passos de suas coreografias. Que briga com a equipe, exige que as coisas sejam feitas do jeito que ele escreveu. "É assim que os meus fãs querem ouvir". Mas que briga do jeito mais educado que uma pessoa pode brigar. "It's all for love. L.O.V.E.". Como não respeitar?

O filme é simples, direto. Faz direito o que se propõe a fazer. Mostra o ensaio das principais músicas (podemos perceber que algumas ficaram de fora, talvez uma jogada de marketing para o lançamento do DVD - Como Michael iria fazer um show sem Heal the World?) seguindo o set list original. E é nessa hora que o filme apaixonou os céticos, aqueles que criticavam, aqueles que não conheciam Michael Jackson. Pois ao mostrar o ensaio no seu estado bruto, mostra um Michael Jackson que, no alto de seus quase 51 anos não perdeu a voz e o rebolado. Michael ainda canta, ainda tem voz, ainda alcança as notas. Michael sabe todas suas coreografias, marca os passos como se estivesse contando até três. Simples assim. Natural. Não somente por ser algo que faz por 40 anos, mas por ser aquilo que ele melhor sabe fazer.

Em momento algum o filme cita o dia em que Michael nos deixou. Não foca em melancolia. Não é piegas. Como diz no inicio, é um filme feito para os fãs. Sendo feito para os fãs, foca naquilo que os fãs querem ver: Michael em ação. Uma pena, uma pena mesmo que não é um ensaio geral. Por muitos momentos, MJ se segura. Segura a voz. Segura os passos. Tudo para se poupar para os grandes shows, que nunca vieram. E é nossa hora que o coração aperta. "Estou poupando minha voz". "Nos vemos em julho". Mas logo em seguida MJ é levado pela emoção, e se joga em passos de Billie Jean. Se empolga no dueto com a [super]backing vocal em I Just Cant Stop Loving You e prova, de uma vez por todas, que não estava morrendo. Podemos ver um Michael feliz, se divertindo na grua que o faria chegar mais perto do público. Se divertindo com a nova filmagem de Thriller e Smoth Criminal. Dando espaço para que os novos de sua banda brilhem durante o show. E, como sempre, tentando salvar o mundo.

Michael tem uma consciência ambiental impressionante. De seu jeito, dá o recado: vamos parar de culpar "eles", assumir nossa culpa e cuidar de nosso planeta. Simples assim. Ah, se todos ouvissem Michael Jackson...



Tenho que confessar que o inicio do filme me encheu de lágrimas. Ver todos os bailarinos-fãs, sorrindo, felizes, comemorando estarem no palco com o rei. Ver MJ ensaiando com muito cuidado um show que nunca iria acontecer. Mas as lágrimas logo passam, quando você entra no clima do ensaio e se sente mais um bailarino, babando, olhando para o palco, enquanto Michael Jackson dá seu show. E o filme te deixa com uma sensação de "quero mais". Cem minutos é muito pouco. Quero mais música. Mais coreografia. Mais Michael Jackson. Quero o segundo verso de Black or White. Quero Man in The Mirror inteira. Quero Moonwalk. Quero MJ vivo para nos mostrar tudo o que ele queria!

Infelizmente, ficaremos querendo. This was supposed to be it. Presenciamos o ensaio de um show perfeito, que nunca foi. The greatest show on earth. E, além de tudo, perdemos o melhor artista da história. O mais completo. O único que escreve, compõe, dirige, coreografa, atua. O único que consegue mandar no diretor de seu show (Ortêêêga) sem que esse ao menos perceba. Perdemos um dos seres humanos mais humanitários do mundo, que simplesmente queria levar mais amor para as pessoas. Queria que o homem voltasse a sua essência, se respeitasse. Queria salvar o mundo. Um artista pop completo, que canta. Playback, o que é isso? Michael Jackson é cantor. Tem voz. Conhece o palco como ninguém. Conhece sua potência, sua força. Sabe que é bom. E sabia que estava fazendo o melhor show que o mundo poderia ver. Infelizmente, ficaremos na imaginação. Pois outro Michael Jackson não nascerá. This is it.




Algumas dicas:
- Fique até o fim dos créditos! Há duas cenas depois que as letrinhas acabam, além da música de fundo ser Heal The World ao vivo.
- Ainda não viu? Vá ver o filme. Vale cada centavo.
- Já viu? Veja de novo. É o que farei ;)