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terça-feira, 11 de maio de 2010

18
Drogado ou Gay? Como você prefere o seu filho?


Já ouvi algumas vezes senhoras dizerem que "preferem ter um filho drogado e viciado a um filho homossexual". A explicação para tal preferência? "Pois o drogado pode ser curado". Vamos pensar.


Um filho drogado é dependente químico. A distância entre o inicio da dependência e a chegada ao fundo do poço pode ou não ser longa, pode ou não existir. O caminho percorrido encontra violência, agressão, roubos, qualquer coisa para se conseguir suprir o vicio. Já acompanhei casos de perto. Caso de filhos de classe média, que apesar de inúmeras internações, continuaram com o seu vício, agredindo família, namoradas, amigos. Filhos de classe média que perto dos 30 anos não conseguiram se formar em uma faculdade e nem se estabilizar em um emprego.


Vamos para o filho gay. Vou citar um exemplo próximo, um amigo meu. Formado em jornalismo também, antes dos 25 anos conseguiu se estabilizar em uma das maiores emissoras do mundo. Respeitadíssimo no trabalho, assume diversas funções, faz tudo na mais perfeita perfeição. É um filho amoroso. Gosta de ter a companhia dos pais no tempo livre. Agrada a mãe sempre que pode, dá satisfações dos lugares que vai e nunca a deixa preocupada. Tem amigos, mantém relacionamentos sérios, estáveis. A diferença? É gay. Gosta de homens.


Tire o "drogado" da primeira descrição. Tire o "gay" da última descrição. Que filho você preferia ter? Quem precisa ser curado?



O interessante de se comentar programas populares como o Big Brother é a gama de assuntos aleatórios que ele incita. Peca aquele que acredita que com esse tipo de programa não se pode tentar discussões mais sérias na sociedade. Nesse ano, por exemplo, tivemos o tal Big Brother colorido. Três homossexuais assumidos entraram no programa. Um gay, uma drag queen e uma lésbica. Em contrapartida, o programa apresentou uma figura completamente alheia àquele universo: um lutador conhecido por seu comportamento machista.


Essa diferença fez com que um termo um tanto quanto estranho fosse levantado: heterofobia. A torcida do lutador alegava que ele sofria preconceito por ser heterossexual. O lutador muitas vezes disse estar defendendo "a bandeira da heterossexualidade", e em entrevistas após o término do programa garantiu que "sofreu heterofobia". Fobia, segundo a definição do dicionário, é a aversão a alguma coisa ou um medo mórbido. Procure homofobia no dicionário.

homofobia

ho.mo.fo.bi.a

(homo(ssexual)+fobo+ia1) sf 1 Preconceito contra os homossexuais. 2 Ódio aos homossexuais, muitas vezes levando à violência física.

Agora, procure heterofobia.

Nenhuma palavra encontrada.

Estamos inseridos em uma sociedade de maioria heterossexual, ou seja, onde a maioria sente atração pelo sexo oposto. Em uma sociedade patriarcal, machista, onde o homem - heterossexual - tem a última palavra. Como então dizer que um heterossexual assumidamente ligado aos conceitos patriarcais sofreu preconceito por... fazer parte da maioria? Ou, traduzindo para o português mais simples possível: como um homem sofreu preconceito por gostar de mulher?



É dificil pensar que em pleno século XXI as pessoas podem ser julgadas pela forma de expressar o amor. No que te afeta alguém gostar do mesmo sexo? Isso tira suas posses? Mexe com a segurança da sua família? Qual o porquê de se sentir incomodado com uma manifestação de afeto?


Nota-se aqui que o exemplo do Big Brother é apenas um pano de fundo para uma questão maior. Um programa popular, que envolve milhares de opiniões do Brasil inteiro, bem ou mal, reflete a opinião de uma maioria. Uma torcida que se movimentou com afinco para fazer um campeão baseado em clichês machistas e humilhações àqueles que não se enquadram no quesito da heterossexualidade é algo para se assustar. Durante três meses, quem acompanha o programa pode ver manifestações e opiniões violentas, chulas, denegrindo a imagem de participantes homossexuais, julgando sua sexualidade como um tipo de defeito. Situações que chegaram ao ponto de participantes precisarem recorrer à seguranças profissionais para garantirem a sua integridade física.

Ainda há muito no que se avançar. Faço parte de uma geração que aceita melhor o diferente, que aprendeu que a convivência de brancos, negros, japoneses, indios, gays, heterossexuais, bissexuais, pansexuais ou seja lá o que você seja, é normal. É saudavel. Todos agem assim? Não. Mas jovens já encontram um ambiente mais seguro para assumirem suas preferências, se assumirem e poderem conviver em paz.


Apesar disso, o equilibrio ainda não está perfeito. Ainda vemos notícias de jovens que são maltratados, espancados, humilhados ou até mesmo - pasmem - mortos por sua orientação sexual. Ainda existem grupos que se acham no direito de agredirem o outro por não fazer parte de uma "maioria". Esse mesmo grupo que espanca gays é o que acredita que mulher é inferior, que negro não presta. Que conceitos são esses? O que nos faz tão diferentes?


Piadas e insinuações a respeito de orientações sexuais são imensas. Graças à nossa sociedade machista. Afinal, homem homossexual é boiola, é viado, é anormal. Mulher homossexual é objeto de desejo de filmes pornôs. Afinal, ela vai querer se relacionar com a outra mulher e com o cara, não é mesmo? E o cara vai poder se relacionar com as duas, não é?


Como quebrar esse estigma machista? Como educar uma sociedade para aceitar o diferente, que nem tão diferente é? Todos namoram. Todos se relacionam. Qual a diferença se isso é feito com o mesmo sexo ou o sexo oposto? No que isso te fere?


Há um tempo atrás, os Estúdios Mauricio de Sousa publicou uma história que rendeu polêmica. Dentro da linha jovem da Turma da Mônica, temos a Revista da Tina - jovem estudante de jornalismo que vive os conflitos das pessoas de sua idade. Tina apareceu, certa vez, com um amigo gay.


A história não deixou claro que o menino é gay. Insinuou, discutiu levemente o preconceito, mas parou por aí. Mesmo assim, gerou protestos de pais que acreditaram que uma simples historinha poderia influenciar na educação sexual de seus filhos de forma que julgassem negativa. Mas por que não mostrar para as crianças, desde cedo, que existem pessoas que gostam do mesmo sexo?


O egoísmo destrói relações. O egoísmo de se achar que, só porque alguém não tem as mesmas ideias que você, os mesmos conceitos, ele está errado. A sociedade avançou, mas ainda falta muito para que todos alcancem o fim do arco-íris e descubram que, lá no final, não tem um pote de ouro. Mas tem pessoas convivendo alegre e harmoniosamente, independente de sua cor, etnia, classe social ou orientação sexual.


E no fim, que filho você prefere ter?
Eu prefiro um filho gay*.






*gay, em inglês, é um termo que se refere a "feliz".

segunda-feira, 19 de abril de 2010

3
Muito além do Cidadão Kane e do Big Brother...

Primeiro, desculpem-me pela ausência dos posts na maneira como foi prometido. Mas expliquei o motivo aqui, no Cai Muita Chuva. Espero que entendam e não me abandonem. ;)

Peço licença para sair mais uma vez do combinado e postar algo que não foi pré programado. Mas duas notícias de hoje me chamaram a atenção e acho que merecem um destaque, pois gostaria muito de ler a opinião de vocês a respeito.

Aparentemente, o pessoal teoria da conspiração enxergou na campanha comemorativa de 45 anos da Globo uma campanha eleitoral.

Na minha opinião?

Tem louco para tudo.

Se a Rede TV, daqui três anos, quando completar 13 anos de existência decidir fazer uma campanha dizendo o quanto acha o "13" legal, não acharei que ela estará do lado do PT. Mas, de qualquer modo, foi bom mesmo a Globo tirar a campanha do ar. Estava muito feia...


Em contra partida, a Isto É postou uma notícia hoje que os meus amiguinhos do Cartas para Bial publicaram em seu espaço:

Se uma campanha meramente comemorativa foi tirada do ar por desconfiarem de sua credibilidade e idoneidade, o que dizer de um programa que envolve participação do público e dinheiro de terceiros? Por que a Globo nunca se manifestou a respeito dessas acusações ou não c0mprova a auditoria de seu programa de maior audiência e rentabilidade?

Será que é dificil uma posição mudar 21 anos depois? O que o Cidadão Kane tanto esconde?


Fica a tentativa de reflexão e espero vocês aqui sexta-feira, com a programação normal!

terça-feira, 13 de abril de 2010

41
A Violenta Turma da Mônica...


Um tempo atrás li um artigo do polêmico Dioclécio Luz, no Observatório da Imprensa, com o título de "Violência na Turma da Mônica". No texto, o jornalista afirma que os personagens de Mauricio de Sousa são mau exemplos para as crianças. Por que? Porque Mônica "resolve tudo na porrada", Cascão não toma banho, Magali tem "uma compulsão exagerada por alimento", Chico Bento "é uma visão elitista do campo" e o Cebolinha... bem, coitado, o Cebolinha nem foi lembrado. Basicamente, uma pessoa que lê Turma da Mônica se transforma em um adulto violento, sem higiene, com compulsões alimentares e preconceito com o campo. Isso se não calhar de falar errado.


Leio Turma da Mônica desde que comecei a ler. É companhia constante. Hoje, quase 20 anos depois da minha primeira leitura, gibi ainda é a primeira coisa que procuro quando vou para uma livraria. E hoje, o que sou? Sou uma jornalista que gosta muito de ler e escrever, que respeita a família e tem valores um tanto quanto tradicionais. Tomo banho todos os dias, não brigo por qualquer besteira, não como compulsivamente e ler histórias do Chico Bento só me faz pensar o quanto o campo é legal.


Resumir os personagens principais às suas características mais fortes é perder um universo recheado de conflitos e histórias interessantes. Mônica é uma menina de gênio forte, que perde a paciência fácil, mas acima de tudo gosta de defender aqueles que ama e espera ser aceita por seus amigos do jeito que é. Magali é uma menina que come bastante, mas está em fase de crescimento. Como toda criança, curte comer uma besteira - cachorro-quente, pipoca, chocolate. Mas qual é a sua comida preferida? Melancia. Quantas vezes não li histórias nas quais a Magali se deliciava com um... purê de abobrinha? Apesar de Cascão apresentar aversão à água, nunca foi afirmado 100% que ele nunca chegou perto de um líquido. Ao contrário, já acompanhamos historinhas - e até mesmo capas de gibi - nas quais Cascão aparecia lavando as mãos. Como muita criança, o personagem apresenta aquele medo - que ninguém entende- de tomar banho.


Dentro desse contexto, vemos os personagens convivendo com suas características e mostrando que, acima de tudo, mantém a amizade e respeitam suas diferenças. As crianças se provocam, mas se defendem. Lembro de ouvir muito quando era criança de que, se uma criança provoca a outra, é porque gosta dela. Na situação menino-menina. É uma situação constante no universo Cebolinha-Mônica. Nas histórias que mostram os personagens mais velhos, os dois sempre mantém um relacionamento. Ironia?



Mauricio de Sousa criou os personagens inspirado em amigos de infância e em seus filhos. Pegou as suas características mais marcantes e inundou em um universo infantil, que a cada ano se atualiza e se relaciona com situações vividas pelas crianças da época. Isso, obviamente, com a magia das Hqs, que permitem situações que, no mundo "real", talvez não fossem tão normais. Mas com base em que se define o que é real, aceitável ou correto?


Querer fazer um artigo baseado em características usuais de personagens de histórias em quadrinhos, sem fazer uma pesquisa mais profunda, é empobrecer demais um texto jornalístico. Muito me admira um jornalista, com tamanha experiência, não se dar ao trabalho de sair do senso comum e analisar de verdade o rico universo criado por Mauricio de Sousa. Além dos já conhecidos personagens principais, temos outros com os mais diferentes jeitos, tudo para que os leitores possam se identificar. Temos o loiro, o cientista, o negro, o japonês, o cadeirante, a deficiente visual, o deficiente auditivo, o filho de pais separados, o viciado em internet, o viciado em TV. Personagens diferentes que, acima de tudo, se respeitam e mostram para seus leitores que é possível conviver em paz com pessoas que não são iguais a você.



Apesar da era do politicamente correto, todo esse rico universo criado por Mauricio de Sousa se traduz em histórias atuais, com doses de ironia e sarcasmo, que conseguem, além de passar a mensagem principal, rir dos próprios clichês que as historinhas criam. Os estúdios Mauricio de Sousa contam com roteiristas sagazes o suficiente que brincam com o universo infantil e inserem piadas que agradam adultos. Além disso, as publicações contam com uma gama de edições voltadas aos mais velhos, como a Turma da Mônica Jovem e a Revista da Tina.


Querer acreditar que uma simples leitura de gibi pode criar monstros é o mesmo que dar a culpa aos video games pela violência e ao Pac Man pelas raves. É demais pensar que a educação dada pelos pais vem em primeiro lugar? E é demais pensar que, ao ler uma história, a pessoa não pode pegar o que de melhor tem nela? Não pode, por exemplo, pegar o recado dado pelo personagem Anjinho, quando diz ao Cascão que é importante limpar seu quarto? Quando diz a Mônica que é importante perdoar os amiguinhos? Ou ao Cebolinha que não se deve provocar os outros? Somos perfeitos? Sem defeitos? Qual a graça em ler histórias com personagens completamente irreais, até mesmo dentro da magia do faz-de-conta?


Apesar do reconhecimento, acredito que o Brasil ainda não dê o devido valor ao gênio que temos. Enaltecemos escritores internacionais, desenhistas, mas esquecemos que temos um produto brasileiro rico o suficiente para brigar com os gringos. E não digo brigar a base de coelhadas, mas brigar na qualidade editorial e gráfica. Não reconhecer isso é querer se internacionalizar demais. Não reconhecer o trabalho social exercido pela Turma da Mônica, sua importância, as revistas temáticas, educativas, o apoio que a leitura de gibis dá ao aprendizado de milhares de crianças, é não valorizar um trabalho nacional magnífico.



Palmas para Mauricio de Sousa, que dentro de uma sociedade retrógrada, falsamente moralista e que se julga politicamente correta, consegue manter viva uma turminha cheia de defeitos, mas que mora no imaginário de muitos brasileiros que não conseguem imaginar sua infância sem essas companhias. Palmas para os roteiristas que conseguem reciclar suas ideias e criarem cada vez situações mais interessantes. Palmas para os brasileiros que conseguem reconhecer o gênio que temos em nosso país. Eles tem Walt Disney? Grande coisa. Nós temos Mauricio de Sousa.



PS: Post com selo de qualidade Mauricio de Sousa. Sem mais! :)

domingo, 11 de abril de 2010

1
Primeiro resultado da nossa votação!

Votações feitas, vamos aos resultados?


71% dos votantes (estou me sentindo super importante) escolheram que os posts sejam publicados de 3ª e 6ª, contra 17% que preferiram 5ª e domingo e 10% que optaram por 4ª feira e sábado.

Ou seja: MARQUEM NOS CELULARES- Posts novos do Cai Muita Garoa toda terça-feira e sexta-feira!



E agora... sobre o que falará o primeiro post da nova fase do Cai Muita Garoa?
















Turma da Mônica!


Com 42% dos votos, iremos conversar sobre o tal texto do famoso jornalista que desconstruiu os personagem de Mauricio de Sousa e julgou a turma como incentivadora de violência e maus hábitos. Teria ele razão?



Espero vocês aqui terça-feira!

Enquanto isso, votem no tema para sexta-feira e deixem suas sugestões de novos tópicos!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

4
Organizando a bagunça!

Vamos colocar a casa em ordem?


Criei esse espaço para poder discutir com todos assuntos mais amplos, que fogem das editorias irônicas/sarcásticas/humorísticas do Cai Muita Chuva. Mas bem, como deu para perceber, quase um ano depois, postei pouco. Então, vamos organizar o espaço!

Como comecei a perguntar no twitter, quero sugestões de vocês! O que querem ler? O que acham interessante? Inspirada em algumas sugestões que já recebi, ao lado a enquete dos primeiros temas:

- Heterofobia x Homofobia
Assunto tão em pauta em tempos de BBB...

- Criminalidade x Maioridade
Já foi discussão no twitter. Diminuir a maioridade penal ajudaria na redução do crime? O que é certo? Um menor pode ser julgado pelo crime que comete como uma pessoa adulta?

- População x Governo
Trânsito, transporte coletivo precário, enchentes, de quem é a culpa?

- Turma da Mônica
Um famoso jornalista levantou recentemente uma polêmica: desconstruiu os personagens de Mauricio de Sousa e julgou a turma como incentivadora de violência e maus hábitos. Teria ele razão?

- Fanatismo x Televisão
Como entender as paixões platônicas e o fanatismo exacerbado que nascem em programas de TV, como acompanhamos na última edição do BBB e com o surgimento de uma torcida fanática?

- Aparência, importa?
Magra, loira, gorda, forte, baixo. Como a busca pela perfeição e por uma figura ideal pode atrapalhar a vida dos jovens?



Deixo também, nas mãos de vocês, a escolha pelos melhores dias para que os textos do Cai Muita Garoa sejam publicados. O blog terá novos assuntos 2 vezes por semana. Concordam?


Sintam-se a vontade para opinar, sugerir temas e votar nas enquetes. O resultado das datas sai sexta-feira, quando o primeiro texto já começará a ser preparado!


Agora, ninguém mais reclama que o Cai Muita Garoa está parado! ;)


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

3
Como você volta para casa? Carro, metrô ou barco?

Por mais incrível que pareça, isso não é um rio. Não é um córrego. É um trecho da Avenida Moreira Guimarães, parte do Corredor Norte Sul, a tal e famosa 23 de maio, em São Paulo. Foto tirada pelo celular, as 19h17, enquanto a zona sul de São Paulo se transformava no mais novo rio do estado.


Culpa de quem?

São Pedro?

Governo?

Dos duendes?


Sinto informar que a culpa é pura e simplesmente da população.

Sabe aquele papelzinho de bala que você joga no chão, que não influencia em nada?

Sabe aquele cigarro que vc larga no chão sem ao menos apagar?

Sabe aquele papel de cartão de crédito que oops, você sem querer deixou cair?



Como sabiamente disse Michael Jackson durante seus ensaios do This is It, todos tem mania de culpar os outros. "É culpa do governo". "Eles irão concertar" "Eles tem a solução". Eles quem? A solução está na gente. Nós temos que mudar. Nós temos que nos policiar.


Segue vídeo de "Earth Song", música escrita por Michael Jackson em 1995. Incrivelmente como 15 anos depois ela ainda casa com a situação.


Porque as vezes é melhor desencanar de comprar um carro e já garantir seu espaço na Arca de Noé...

domingo, 8 de novembro de 2009

8
Uma Universidade e Um Vestido Rosa...

Um assunto um tanto quanto estranho tem tomado a mídia nas últimas semanas. Como todos que acompanham noticiário sabem, uma aluna do curso de turismo da Uniban, campus SBC, causou alvoroço entre seus colegas de faculdade por usar um microvestido rosa pink durante a aula. Na internet, foi postado um vídeo onde a aluna era escoltada para fora do campus com o auxilio da polícia, enquanto alunos aglomerados em volta gritavam a palavra "Puta!". O vídeo causou polêmica.. "quem é essa aluna?" "qual o tamanho do vestido?" "quem são os alunos aglomerados?" "oh Meu Deus, estamos no Talibã?"

Nas últimas semanas, essa história ganhou proporções maiores do que deveria. A aluna, distribuiu entrevistas pela mídia, participou de programas, a título de "a garota humilhada da Uniban". Os alunos da universidade, por outro lado, deram alguns depoimentos, dizendo que o comportamento da estudante sempre foi provocativo, com trajes curtos e inadequados, na tentativa de chamar a atenção durante as aulas. A "humilhada", frente a esse fato, alegou se vestir como "todas as outras garotas": com decotes, vestidos curtos e jeans colados.

Muitas comparações estranhas foram feitas nessa história. Pessoas "abismadas" sobre como que no país do carnaval, da mulher melancia, uma aluna é humilhada por ir de mini vestido para aula. Pois bem, vamos organizar esse fato?

Um erro não justifica o outro. Não é pelo fato de termos um carnaval desnudo ou "ídolos popularescos" como mulher melancia, que devemos considerar normal pessoas se vestirem de formas erradas em ambientes coletivos. É motivo de orgulho para alguém as mulheres peladas na avenida ou uma mulher carregar com felicidade a alcunha de uma fruta? Precisamos analisar esse fato de um modo simples: em regras da sociedade, até em regras internas de certas entidades, é preciso se adequar ao ambiente que se está para vestir alguma roupa. Em uma instituição de ensino ou em um ambiente de trabalho, por exemplo, não são aconselháveis decotes, roupas justas ou grudadas. Homem costuma não poder trabalhar de bermuda ou ir a universidade/colégio de camiseta regata (já ouvi muitas reclamações a respeito). Por que uma mulher pode ir de vestido curto, então?

Hoje a universidade Uniban soltou um comunicado declarando a expulsão da aluna e a punição de quem causou o tumulto. Declarou que a estudante em questão sempre teve comportamento e vestimentas inadequadas, já foi alertada diversas vezes mas nunca tomou providências. Bem ou mal, precisamos aceitar: é uma instituição de ensino particular. Eles tem o direito de elaborar suas regras e seus precedentes para aceitar ou não alunos. Eu sempre achei que essa história era um pouco mais longa do que aquela divulgada na mídia. Não consigo acreditar que a comoção pública na faculdade foi resultado apenas de um único vestido.



É assim que a aluna diz que estava vestida naquele dia. Agora, vamos combinar. Não. Não era assim. Qualquer pessoa que já viu um vestido desse pessoalmente, sabe que ele não é desse tamanho. Esse tipo de vestido sobe ao primeiro passo, ficando do tamanho de, no máximo, um palmo. Ele não é do tamanho que a foto mostra, onde está, claramente, esticado.




Foi errada a atitude dos alunos da Uniban? Foi. Independente do vestido, da pessoa, do histórico da pessoa, em momento algum deve-se tentar humilhar alguém, ainda mais por um fato tão banal. A Uniban deveria sim ter contido seus alunos antes do assunto tomar tamanha proporção. Onde estavam os professores, os diretores, o reitor dessa faculdade enquanto isso acontecia?

Agora, nada justifica a expulsão da estudante da faculdade. Tendo em vista que a vitima da agressão foi ela, porque motivo ela deve sair da cena do crime? Se o fato chegou a esse ponto, pode-se acreditar que a Uniban não tomou todas as medidas que garante ter tomado antes de expulsar a garota. E aqueles que gritavam, criaram o tumulto, pararam um dia letivo, não deveriam esses ter o mesmo destino?

A universidade estava errada ao permitir que um escândalo acontecesse dentro de seu espaço. Os alunos errados ao atacarem moralmente assim uma pessoa, que além de tudo estava sozinha e sem chances de defesa. A aluna errada ao não saber se adequar - como podemos dizer, vestimentalmente?! - dentro de uma instituição de ensino. Enquanto isso, devido a cobertura que o caso tomou, a aluna aproveita a situação para ocupar, muito bem, o papel de vítima. A universidade para ocupar, muito bem, o papel de acusadora. E nós, meros espectadores de uma história tão absurda, ocupamos aqui o papel de julgadores, mesmo sem merecermos esse lugar, já que nunca saberemos a história completa que culminou na degradação de um mini vestido rosa pink.